O Santos saiu da Vila Belmiro com a sensação de que fez pouco para merecer algo além do 0 a 0 contra o Coritiba, no jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. O resultado deixou a decisão em aberto para a volta no Couto Pereira, mas o desempenho do time de Cuca voltou a expor um problema que tem se repetido: a equipe até tenta empurrar o adversário, porém cria menos do que deveria e depende demais de lampejos individuais.
Dentro desse cenário, Neymar foi o retrato mais claro da partida santista. Ele participou, chamou o jogo em alguns momentos e teve a melhor chance do Santos ao acertar a trave, mas oscilou ao longo dos 90 minutos e não conseguiu transformar presença em desequilíbrio constante. A avaliação de que o camisa 10 alternou bons lances com trechos apagados apareceu também nas análises pós-jogo, que destacaram justamente essa irregularidade em um time ofensivamente travado.
A atuação de Neymar também precisa ser lida dentro do contexto físico e tático. Ele chegou ao confronto em sua maior sequência pelo Santos em 2026, com quatro jogos seguidos como titular em um intervalo curto, o que ajuda a explicar um rendimento menos explosivo do que o torcedor espera quando vê seu principal craque em campo. Ainda assim, a cobrança existe porque, quando o coletivo não funciona, todo o peso do jogo cai sobre ele.
Do outro lado, o Coritiba saiu com mais razões para se animar. A leitura feita no Paraná foi de que o time controlou boa parte do confronto, sustentou bem a marcação e pecou no detalhe para sair com a vitória. Isso ajuda a explicar por que o empate teve gosto diferente para cada lado: para o Coxa, foi um resultado sólido fora de casa; para o Santos, ficou a impressão de oportunidade desperdiçada e de mais uma noite em que o ataque produziu abaixo do esperado.
No fim, a resenha do jogo passa menos pelo placar e mais pelo que ele revelou. Neymar mostrou qualidade em momentos pontuais, mas não conseguiu comandar o Santos de forma contínua. E o Santos, mais uma vez, pareceu um time que espera que o talento do camisa 10 resolva sozinho um problema coletivo que continua sem solução.