A SAF do Botafogo anunciou nesta quarta-feira, 22 de abril, que protocolou na Justiça do Rio de Janeiro um pedido de recuperação judicial, definido pelo clube como uma medida de reorganização financeira para preservar a operação e manter o projeto esportivo iniciado em 2022. Em nota oficial, o clube afirmou que a prioridade é proteger as atividades da empresa e dar continuidade aos compromissos com atletas, funcionários e prestadores de serviço.
Na prática, o movimento abre um ambiente de negociação com credores e suspende execuções fora desse processo, além de impedir atos como penhora de ativos e receitas da SAF. Segundo a apuração publicada nesta quarta, a medida cautelar também foi usada pelo Botafogo para tentar impedir rescisões unilaterais de jogadores e a interrupção de serviços essenciais, num momento em que o clube busca evitar um agravamento imediato da crise financeira.
O pedido foi apresentado em meio à turbulência envolvendo a Eagle Bidco, acionista majoritária da SAF, que está sob intervenção judicial no exterior. De acordo com o Botafogo, a empresa tem dificultado a entrada de novo capital no clube, e a diretoria também pediu à Justiça a suspensão temporária dos direitos políticos do controlador. O pano de fundo inclui ainda disputas dentro da estrutura da Eagle Football e a tentativa do clube carioca de reorganizar sua governança em paralelo ao ajuste financeiro.
O caso expõe o tamanho da pressão sobre o caixa alvinegro. Em reportagem publicada nesta quarta, a ESPN informou que o Botafogo aponta um passivo de R$ 2,5 bilhões e relata falta de recursos para honrar a folha salarial do próximo mês. Ao mesmo tempo, o clube tenta recuperar valores em outras frentes: também nesta quarta, a Justiça do Rio determinou que o Lyon pague 21 milhões de euros, o equivalente a R$ 122,3 milhões, em uma das cobranças movidas pela SAF carioca contra o braço francês da rede multi-clubes de John Textor.