Josefa Santos, Yasmin Cunha e Beatriz Santos foram descobertas pela empresária baiana Mônica Mota, que há mais de três décadas prepara talentos para o mercado da moda
Das passarelas internacionais às campanhas de grandes grifes, modelos negras da Bahia vêm conquistando espaço no mercado global da moda. Entre os nomes que representam esse movimento estão Josefa Santos, Yasmin Cunha e Beatriz Santos, três jovens descobertas e preparadas pela empresária Mônica Mota, fundadora da Model Club Agency, em Salvador.
Natural de Ribeira do Pombal, no interior baiano, Josefa Santos construiu uma carreira internacional com desfiles para marcas como Saint Laurent, Hermès e Alexander McQueen.
Outra representante da Bahia, Beatriz Santos, integrou o desfile da grife Burc Akyol durante a Paris Fashion Week 2026. Já Yasmin Cunha, de 18 anos, estreou na passarela da Balenciaga, em uma coleção assinada pelo estilista Pierpaolo Piccioli.
As trajetórias das três modelos mostram como talentos descobertos fora dos principais centros da indústria podem alcançar o mercado internacional, ampliando a presença de mulheres negras em um setor historicamente marcado por padrões restritos de beleza.
Empresária baiana atua há mais de 30 anos na descoberta de modelos
Por trás dessas histórias está o trabalho de Mônica Mota, que fundou a Model Club Agency em setembro de 1992, ao lado do marido e sócio, Acácio Santos.
Nascida em Salvador e criada em uma família de origem humilde, Mônica sonhava em ser modelo durante a adolescência, mas encontrou dificuldades para ingressar na profissão por não atender aos padrões de altura exigidos pelo mercado na época.
A experiência acabou influenciando sua trajetória. Depois de atuar na dança profissional, com formação na Fundação Cultural do Estado da Bahia e aulas com o professor Zebrinha, decidiu investir na descoberta de novos talentos.
A agência começou em uma pequena sala na Avenida Sete de Setembro, em Salvador, e passou a desenvolver carreiras de modelos com potencial para atuar no Brasil e no exterior.
“O mercado via a moda apenas como estética e lucro, sem olhar humano, então decidi criar o mercado onde diziam que ele não existia, provando que grandes talentos nascidos na Bahia poderiam sim ter projeção internacional com o preparo adequado”, afirma Mônica.
Atualmente, a Model Club Agency trabalha com preparação para passarelas, fotogenia, interpretação, inglês e inteligência emocional, por meio de iniciativas como o College Model Club. A empresa também integra o diretório do Models.com, plataforma de referência para profissionais da indústria da moda.
Novembro Negro destaca representatividade na moda
As conquistas das modelos ganham destaque durante o Novembro Negro, período dedicado à valorização da cultura afro-brasileira e à reflexão sobre a igualdade racial.
Para Mônica, ampliar a representatividade nas passarelas exige mais do que garantir presença em campanhas e desfiles. É necessário criar condições para que os profissionais desenvolvam carreiras duradouras.
“O Novembro Negro é um momento importante para refletirmos sobre os espaços que as pessoas negras conquistaram, e também sobre aqueles que ainda precisam ser ocupados. Na moda, não basta colocar uma mulher negra em uma campanha ou em uma passarela; é preciso garantir que ela tenha oportunidades reais de desenvolver sua carreira, acessar os grandes mercados e permanecer neles”, destaca.
A empresária também ressalta a importância de oferecer referências para novas gerações.
“Quando uma modelo negra chega às passarelas internacionais, ela não representa apenas a própria trajetória, ela também mostra a tantas outras meninas negras que esse lugar pode ser delas. É por isso que acredito tanto na formação e no trabalho de base: talento existe em toda parte, e as oportunidades precisam chegar até ele”, conclui.