A senadora Tereza Cristina (PP-MS) decidiu manter seu nome na disputa pela presidência do Senado Federal e aposta em uma candidatura capaz de reunir apoio de diferentes grupos políticos para enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A decisão ocorre após uma tentativa frustrada de acordo com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que também pretende concorrer ao cargo a partir de fevereiro de 2027.
A ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro busca se apresentar como uma terceira via na disputa. Com bom trânsito entre parlamentares do Centrão e interlocução com integrantes da base governista, Tereza acredita ter condições de atrair senadores que fazem oposição a Alcolumbre, mas demonstram resistência ao nome de Marinho. A estratégia é ampliar sua base de apoio e, futuramente, tentar convencer o senador do PL a retirar sua candidatura em favor de seu nome.

Davi Alcolumbre busca se manter no posto | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Os dois chegaram a se reunir na semana passada para discutir a possibilidade de unificar a oposição em torno de um único candidato, mas não houve consenso. Enquanto Marinho pretende oficializar sua candidatura nesta quarta-feira (4), em reunião do PL, Tereza trabalha para consolidar sua posição nos bastidores e não demonstra disposição de abandonar a disputa neste momento.
Um dos principais pontos de divergência entre os dois está na agenda que pretendem priorizar caso cheguem ao comando do Senado. Tereza Cristina não descarta discutir pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas considera que o tema não deve monopolizar os trabalhos da Casa. A senadora também defende uma agenda mais ampla, com espaço para reformas econômicas e outras pautas legislativas. Marinho, por sua vez, tem colocado o enfrentamento ao STF e a discussão sobre o impeachment de ministros entre as principais bandeiras de sua candidatura.

Rogério Marinho busca liderar a oposição | Foto: Mateus Bonomi/Reuters
A movimentação acontece em meio às articulações de Alcolumbre para permanecer no cargo. Apesar de a federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, ter anunciado apoio à recondução do atual presidente, a orientação enfrenta resistências entre parlamentares das duas siglas. Tereza, que integra o PP, defende a autonomia dos senadores na escolha, já que a votação para a presidência da Casa é secreta.
Para vencer a eleição, marcada para 1º de fevereiro de 2027, são necessários pelo menos 41 votos entre os 81 senadores. Até o momento, os diferentes grupos políticos ainda trabalham para consolidar suas bases, e a divisão da oposição pode favorecer Alcolumbre. A disputa será um dos primeiros grandes testes de articulação política no Congresso após as eleições de 2026 e terá impacto direto na definição da agenda legislativa e na relação entre Legislativo, Executivo e Judiciário.