O uso excessivo da tecnologia, sem acompanhamento dos pais ou responsáveis, pode expor crianças e adolescentes a situações de violência, conteúdos inadequados e violações de direitos. O alerta foi feito pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) durante a 9ª Conferência Tecnologia e Infância, realizada na última sexta-feira (23).
O encontro discutiu os desafios da proteção de crianças e adolescentes na internet, incluindo segurança digital, exposição da intimidade, proteção de dados pessoais e prevenção de crimes cibernéticos.
Segundo a promotora de Justiça Ana Emanuela Cordeiro Rossi, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente (Caoca/MPBA), a presença cada vez maior da tecnologia na rotina dos jovens exige uma atuação mais próxima e orientadora das famílias.
A promotora destacou que as ferramentas digitais oferecem oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, mas precisam ser utilizadas de forma segura, crítica e responsável, com atenção aos riscos de exposição a conteúdos impróprios e contatos abusivos.
Durante a conferência, a psicóloga Bianca Orrico, da SaferNet Brasil, apresentou dados que reforçam a preocupação. Segundo ela, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu mais de 87 mil denúncias em 2025, sendo mais de 63 mil relacionadas a abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
A delegada da Polícia Federal Lívia Carvalho da Cunha também chamou atenção para crimes como violência sexual no ambiente virtual, exposição indevida da intimidade e divulgação de conteúdos vexatórios.
A programação reuniu especialistas, representantes de instituições de proteção à infância e estudantes de escolas públicas. Entre os assuntos debatidos estiveram os desafios de implementação do ECA Digital, a educação para a cidadania digital e a responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, poder público e plataformas digitais.
O MPBA também destacou iniciativas de conscientização, como a campanha “O cuidado não pode ficar só no off” e a plataforma Fala Filho, voltadas à prevenção de violações de direitos de crianças e adolescentes.