O mercado financeiro reagiu à reeleição de Lula (PT) com fortes oscilações nesta segunda-feira (26). O dólar chegou a R$ 5,60 durante o pregão, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou mais de 16% e teve as negociações interrompidas temporariamente.
Por volta das 10h50, a moeda americana subia 10,28%, cotada a R$ 5,5063. Já o Ibovespa caía 16,59%, aos 171.061 pontos, após atingir a mínima de 169.516 pontos.
A queda da Bolsa levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações por 30 minutos diante de perdas expressivas. A medida busca conter movimentos bruscos e dar tempo para que investidores reavaliem suas operações.
A reação ocorre após Lula vencer o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Parte dos investidores esperava outro resultado e agora avalia os possíveis impactos do novo mandato sobre os juros, o câmbio e as contas públicas.
Entre as principais preocupações do mercado estão a trajetória da dívida pública, o controle dos gastos do governo e o cumprimento das metas fiscais. A possibilidade de questionamentos judiciais sobre o resultado eleitoral também entrou no radar dos investidores.
O movimento negativo atingiu ainda as ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha papéis do Brasil, recuava mais de 26% antes da abertura dos mercados americanos, segundo os dados divulgados pela reportagem.
O cenário internacional também influencia as negociações. Investidores acompanham a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (28), além das oscilações do petróleo em meio às tensões entre americanos e iranianos.
A última vez que a Bolsa brasileira havia acionado o circuit breaker foi em março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19. Naquele mês, o mecanismo foi utilizado seis vezes.