Abstenção no Brasil cai para 19,22%, menor índice desde 2006; veja dados da Bahia

Abstenção no Brasil cai para 19,22%, menor índice desde 2006; veja dados da Bahia

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Nelson Jr./ ASICS/TSE

Publicado em 26/10/2026 às 09:37

A abstenção no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 caiu na Bahia e ficou abaixo da média nacional. No estado, 16,72% dos eleitores aptos a votar não compareceram às urnas no domingo (25), ante 19,97% no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A redução foi de 3,25 pontos percentuais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pela Valor Data.

O percentual baiano ficou 2,50 pontos percentuais abaixo da média brasileira, que chegou a 19,22% e representa o menor índice de abstenção desde 2006, quando 18,99% dos eleitores não votaram. No cenário nacional, cerca de 30,5 milhões de pessoas aptas a votar se ausentaram, enquanto mais de 128 milhões compareceram às urnas. Em relação ao primeiro turno, aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais participaram da votação.

Entre os estados do Nordeste, a Bahia registrou a quinta menor taxa de abstenção no segundo turno. Os menores índices foram observados no Ceará (13,89%), em Pernambuco (15,19%), na Paraíba (15,54%) e em Sergipe (15,71%). O Rio Grande do Norte teve 16,06%, também abaixo do resultado baiano.

A redução da abstenção na Bahia foi acompanhada pela queda nos votos brancos e nulos, que passaram de 5,45% no primeiro turno para 3,48% no segundo, uma diminuição de 1,97 ponto percentual. No país, esses votos representaram 3,24% do total, ante 4,76% na primeira etapa da eleição.

Segundo o TSE, o índice nacional de abstenção registrado no domingo está entre os menores desde 1989, quando 14,39% dos eleitores não compareceram. Depois daquele ano, a taxa foi de 20,47% em 2002, 18,99% em 2006, 21,50% em 2010, 21,10% em 2014, 21,30% em 2018 e 20,59% em 2022.

Historicamente, a abstenção costuma ser maior no segundo turno do que no primeiro. A exceção anterior havia ocorrido em 2022, quando a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) também foi marcada pela forte polarização. Naquele pleito, o comparecimento passou de 79,1% no primeiro turno para 79,5% no segundo.

Em 2026, o movimento se repetiu em meio à intensificação das campanhas para mobilizar os eleitores. O comparecimento às urnas foi uma das estratégias de Lula para tentar reverter a vantagem conquistada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, destacou a participação do eleitorado em pronunciamento na noite de domingo (25). “Esse número é especialmente importante nesta eleição, em que muito se falou sobre a suposta dificuldade do eleitor votar. Na verdade, é importante que se diga que a Justiça Eleitoral organiza o pleito para dar máxima comodidade para o eleitorado”, afirmou.

Para a especialista em pesquisas eleitorais Márcia Cavallari, líder de pesquisas da Ipsos-Ipec, a queda na abstenção pode ter contribuído para o resultado da disputa, embora não seja possível atribuir a vitória de Lula exclusivamente a esse fator. “A virada de Lula é feita de uma série de elementos. O fato de ele ter ficado atrás no primeiro turno foi motivo de maior mobilização, com muito mais engajamento nas ruas e nas redes sociais”, disse, em entrevista ao Valor Econômico.

Uma das iniciativas da campanha petista foi incentivar os eleitores que apoiaram Lula na primeira etapa a convencer familiares, principalmente idosos, a comparecer à votação seguinte. Ainda assim, especialistas ressaltam que as taxas de abstenção variam regionalmente e podem ter efeitos diferentes sobre o desempenho dos candidatos.

Segundo Cavallari, Flávio Bolsonaro contava com a perspectiva de vitória e com o desejo de mudança, que permaneceu elevado durante a campanha. Para ela, a eleição foi decidida nas horas finais, após o debate da TV Globo e manifestações espontâneas nas ruas.

Embora o voto seja obrigatório no Brasil para pessoas alfabetizadas entre 18 e 69 anos, as penalidades por não comparecer e deixar de justificar a ausência são limitadas. Entre as consequências estão restrições para obter passaporte e participar de concursos públicos, além de multa de R$ 3,51 por turno, valor que não é reajustado desde 1993. A justificativa pode ser apresentada pelo aplicativo e-Título.

Adolescentes de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos têm voto facultativo. No primeiro turno de 2026, a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos chegou a 50%.

Em outubro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que o poder público deve oferecer transporte coletivo gratuito no dia das eleições. A regra começou a valer nas eleições municipais de 2024. Neste ano, queixas sobre dificuldades de acesso ao transporte público em cidades como Salvador e São Paulo levaram o STF a determinar a prorrogação do horário de votação por duas horas, até as 19h.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia