Manaus enfrenta uma grave piora na qualidade do ar devido à fumaça provocada por queimadas e incêndios na região amazônica. Na sexta-feira (9), a capital do Amazonas registrou concentrações de partículas finas em níveis considerados péssimos para a saúde, levando à emissão de alertas da Defesa Civil e à suspensão de aulas e atividades presenciais em instituições públicas.
De acordo com a plataforma de monitoramento ambiental Selva, desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 350,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 2h23 de sexta-feira. O valor é mais de 23 vezes superior à diretriz diária de 15 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo reportagem da Amazônia Real.
Já o monitoramento utilizado pela Prefeitura de Manaus registrou concentração média de 196,4 µg/m³ na manhã de sexta-feira. Os valores variam conforme o ponto de medição, o horário e o sistema utilizado, mas indicam um quadro de poluição atmosférica severa.
A situação levou a Prefeitura de Manaus a suspender, excepcionalmente na sexta-feira, as aulas da rede municipal de ensino, além das atividades nos centros de atendimento especializados, nos Centros Municipais de Arte-Educação (CMAEs) e no Parque Cidade da Criança. As atividades presenciais nas sedes administrativas do Executivo municipal também foram interrompidas, com adoção do teletrabalho para os servidores cujas funções permitem a modalidade.
Universidades e institutos federais também adotaram medidas preventivas diante da fumaça. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspenderam atividades presenciais em unidades da capital.
A fumaça que encobre Manaus está associada principalmente a queimadas registradas em municípios do interior do Amazonas e na região metropolitana. Em comunicado divulgado na quarta-feira (7), a prefeitura apontou ocorrências em Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes entre as áreas relacionadas ao avanço da fumaça sobre a capital.
Além dos incêndios florestais, focos de fogo em áreas urbanas também contribuem para a poluição. Segundo a Amazônia Real, a fumaça observada na cidade está relacionada a incêndios urbanos, queimadas e desmatamento.
O cenário ocorre durante o período de estiagem na região, quando as condições climáticas favorecem a propagação do fogo e dificultam a dispersão dos poluentes. O agravamento da qualidade do ar também reforça os impactos das queimadas sobre a saúde da população.
As partículas finas PM2,5 são poluentes capazes de penetrar profundamente nos pulmões. Em concentrações elevadas, podem provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dor de cabeça e dificuldade para respirar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
A Defesa Civil e as autoridades municipais recomendaram que a população evite atividades físicas ao ar livre e reduza o tempo de exposição à fumaça. Também orientaram o uso de máscaras PFF2 ou N95, quando houver necessidade de sair de casa, e atenção redobrada com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.