Manaus registra poluição do ar mais de 23 vezes acima do limite recomendado pela OMS

Manaus registra poluição do ar mais de 23 vezes acima do limite recomendado pela OMS

Redação Alô Alô Bahia

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Michael Dantas

Publicado em 10/10/2026 às 11:26

Manaus enfrenta uma grave piora na qualidade do ar devido à fumaça provocada por queimadas e incêndios na região amazônica. Na sexta-feira (9), a capital do Amazonas registrou concentrações de partículas finas em níveis considerados péssimos para a saúde, levando à emissão de alertas da Defesa Civil e à suspensão de aulas e atividades presenciais em instituições públicas.

De acordo com a plataforma de monitoramento ambiental Selva, desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 350,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 2h23 de sexta-feira. O valor é mais de 23 vezes superior à diretriz diária de 15 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo reportagem da Amazônia Real.

Já o monitoramento utilizado pela Prefeitura de Manaus registrou concentração média de 196,4 µg/m³ na manhã de sexta-feira. Os valores variam conforme o ponto de medição, o horário e o sistema utilizado, mas indicam um quadro de poluição atmosférica severa.

A situação levou a Prefeitura de Manaus a suspender, excepcionalmente na sexta-feira, as aulas da rede municipal de ensino, além das atividades nos centros de atendimento especializados, nos Centros Municipais de Arte-Educação (CMAEs) e no Parque Cidade da Criança. As atividades presenciais nas sedes administrativas do Executivo municipal também foram interrompidas, com adoção do teletrabalho para os servidores cujas funções permitem a modalidade.

Universidades e institutos federais também adotaram medidas preventivas diante da fumaça. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspenderam atividades presenciais em unidades da capital.

A fumaça que encobre Manaus está associada principalmente a queimadas registradas em municípios do interior do Amazonas e na região metropolitana. Em comunicado divulgado na quarta-feira (7), a prefeitura apontou ocorrências em Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes entre as áreas relacionadas ao avanço da fumaça sobre a capital.

Além dos incêndios florestais, focos de fogo em áreas urbanas também contribuem para a poluição. Segundo a Amazônia Real, a fumaça observada na cidade está relacionada a incêndios urbanos, queimadas e desmatamento.

O cenário ocorre durante o período de estiagem na região, quando as condições climáticas favorecem a propagação do fogo e dificultam a dispersão dos poluentes. O agravamento da qualidade do ar também reforça os impactos das queimadas sobre a saúde da população.

As partículas finas PM2,5 são poluentes capazes de penetrar profundamente nos pulmões. Em concentrações elevadas, podem provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dor de cabeça e dificuldade para respirar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.

A Defesa Civil e as autoridades municipais recomendaram que a população evite atividades físicas ao ar livre e reduza o tempo de exposição à fumaça. Também orientaram o uso de máscaras PFF2 ou N95, quando houver necessidade de sair de casa, e atenção redobrada com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.

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