Pierre Verger ganha livro com textos inéditos sobre a Bahia, África e cultura iorubá

Pierre Verger ganha livro com textos inéditos sobre a Bahia, África e cultura iorubá

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Arlete Soares

Publicado em 16/09/2026 às 08:27

Mais conhecido no Brasil por seu trabalho como fotógrafo, Pierre Verger também dedicou boa parte de sua trajetória ao estudo das relações entre o Brasil — especialmente a Bahia — e a África Ocidental. Sua pesquisa se aprofundou ainda na diáspora africana, na religião dos orixás e nas tradições orais da cultura iorubá.

Esse lado menos conhecido do artista e pesquisador ganha destaque com o lançamento do livro Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e Golfo do Benim, que acontece nesta quarta-feira (16), em São Paulo.

Fruto de uma parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger, a publicação reúne 12 ensaios escritos por Verger entre 1958 e 1972. Quatro deles são inéditos e ajudam a revelar uma faceta ainda pouco explorada de sua produção intelectual.

Os textos foram produzidos durante o período em que Verger dividiu sua vida entre Salvador e a Nigéria, aprofundando suas pesquisas sobre o povo iorubá e as conexões históricas e culturais entre os dois lados do Atlântico.

A coletânea foi organizada em três eixos principais: os aspectos históricos das relações transatlânticas; a religião iorubá; e a cultura, o conhecimento e a oralidade iorubá.

Para a organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, Ângela Lühning, a publicação também apresenta ao público uma perspectiva mais ampla sobre a trajetória do francês que se tornou uma figura fundamental para a documentação da cultura baiana e afro-brasileira.

“Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas”, explicou.

Segundo ela, os textos mostram um pesquisador que transitava por diferentes áreas e estabelecia conexões entre história, cultura, religião e conhecimento.

“O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos”, acrescentou.

Sobre Pierre Verger

Nascido em Paris, em 1902, Pierre Verger começou sua trajetória profissional como fotógrafo viajante. Ao longo das décadas, percorreu diferentes países e registrou povos, culturas e paisagens, construindo um importante acervo documental.

Em 1946, chegou a Salvador, cidade que se tornou um dos principais centros de sua vida e pesquisa. A relação de Verger com a Bahia se aprofundou ao longo dos anos, especialmente por meio de seus estudos sobre a cultura afro-brasileira e suas conexões com a África.

Além da fotografia documental e de campo, Verger se dedicou a áreas como antropologia, história, conhecimentos orais e botânica. Seu trabalho ajudou a registrar aspectos importantes da cultura e das tradições de comunidades negras tanto no Brasil quanto no continente africano.

Em 1953, recebeu o nome Fatumbi, durante sua iniciação religiosa na tradição iorubá, passando a ser conhecido como Pierre Fatumbi Verger.

Verger faleceu em 1996, em Salvador, aos 93 anos, deixando um vasto acervo de fotografias, livros, pesquisas e documentos que continuam contribuindo para os estudos sobre as relações entre Bahia e África.

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