“O Rei da Internet”, filme com João Guilherme, ganha elogios no Brasil e pode conquistar público internacional

“O Rei da Internet”, filme com João Guilherme, ganha elogios no Brasil e pode conquistar público internacional

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 31/08/2026 às 15:39

“O Rei da Internet” chegou ao streaming na última sexta-feira (28) com uma proposta que parece feita sob medida para o cinema brasileiro contemporâneo, transformando uma história real de ascensão meteórica, dinheiro, golpes, drogas e queda em um thriller pop e acelerado. Dirigido por Fabrício Bittar e protagonizado por João Guilherme, o filme, baseado em uma história real, acompanha Daniel Nascimento, jovem hacker que construiu um império digital a partir de crimes praticados pela internet.

O resultado é um longa que dá certo quando abraça o próprio exagero. A montagem veloz, a trilha sonora, a direção de arte e a recriação do universo dos anos 2000 ajudam a transportar o espectador para uma época em que a internet ainda tinha um ar de território sem lei. Há uma energia quase caótica em boa parte da produção, que parece querer reproduzir na tela a mesma sensação de excesso vivida pelo protagonista.

Não por acaso, o filme chegou a ser comparado por alguns críticos com “O Lobo de Wall Street”. A estrutura de ascensão, ostentação e queda, somada à narração em off (com toques agradáveis de humor e piadas autorreferentes), ao sexo, às drogas e à velocidade narrativa, lembra bastante o filme de Martin Scorsese.

João Guilherme é Daniel Nascimento, jovem hacker que realmente existiu

A diferença positiva está no universo em que Bittar coloca essa fórmula, o da internet brasileira dos primeiros anos do século, quando computadores, fóruns, cartões de crédito e sistemas ainda pouco protegidos abriam espaço para uma geração de criminosos digitais.

João Guilherme é uma das boas surpresas. O ator consegue sustentar um personagem que precisa transitar rapidamente entre o adolescente aparentemente comum e o jovem tomado pela sensação de poder que o dinheiro proporciona. Daniel é construído para que o público acompanhe sua perspectiva e, em alguns momentos, quase seja seduzido por ela, mesmo sabendo que aquela trajetória envolve vítimas e crimes.

Esse talvez seja também um dos pontos mais discutíveis do filme. “O Rei da Internet” está muito mais interessado na experiência de Daniel, em sua ascensão e em sua queda, do que nas consequências de seus atos para quem ficou do outro lado dos golpes. A escolha funciona para construir o thriller, mas limita um pouco a possibilidade de aprofundar as questões morais da história.

O excesso, bem visto em alguns momentos, em outros, joga contra o próprio filme. A mesma linguagem frenética que inicialmente dá personalidade à produção pode se tornar cansativa, especialmente diante de uma duração de pouco mais de 2 horas que poderia ser mais enxuta.

Ainda assim, há mérito em transformar uma história tão ligada ao universo tecnológico em um filme essencialmente popular. “O Rei da Internet” não tenta ser uma investigação documental sobre os crimes de Daniel. É, antes de tudo, um espetáculo sobre ambição, dinheiro e a sensação de impunidade proporcionada por um mundo digital que ainda estava aprendendo (será que já aprendeu?) a lidar com seus próprios riscos.

Entre os 15 filmes nacionais habilitados a concorrer pela vaga do Brasil no Oscar, o filme ainda não ganhou uma projeção relevante fora do Brasil. Esse cenário pode mudar em breve. “O Rei da Internet” foi adquirido para distribuição nos Estados Unidos e no Canadá pela Magenta Light Studios, com previsão de lançamento nos cinemas americanos ainda em 2026.

É um movimento importante porque o tema tem potencial de diálogo internacional, já que o fascínio pela ascensão e pela queda é universal. Apesar disso, o tempo curto pode atrapalhar os planos do longa, já que o filme brasileiro que tentará a vaga no Oscar será escolhido já no próximo dia 16 de julho, e enfrenta outras grandes produções nacionais, como “Cinco Tipos de Medo”, que conta até mesmo com produção de Viola Davis.

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