Em meio ao crescimento do movimento do samba de roda em Salvador, uma artista tem se destacado dentro deste cenário. Trata-se de Isabela de Castro, também conhecida como Viola de Isa, a primeira violeira de samba de terreiro baiano.
Embora tímida fora dos palcos, a artista impressiona pela habilidade com o instrumento. Ao lado do grupo Alacorin, Isa tem se apresentado em festas e eventos pela capital baiana, atraído admiradores por onde passa.
Em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia, a musicista comentou sobre a tendência do samba de terreiro, movimento que, nos últimos anos, tem reunido centenas de pessoas em bares, restaurantes, largos e espaços culturais, especialmente no Centro Histórico de Salvador.
“O samba de terreiro tem crescido muito nos últimos três anos e isso é uma vitória para o povo de santo. Hoje é difícil você ir numa roda de samba e não cantar o axé. Para a gente, é um presente, mas também é sinônimo de muita resistência”, afirma.

O sucesso de Isa nas rodas de samba já era previsto antes mesmo dela iniciar sua carreira. A musicista conta que foi incentivada por Exu, uma entidade do Candomblé, a deixar para trás outros caminhos profissionais e iniciar uma nova trajetória dedicada à música e ao sagrado.
“Recebi a proposta inevitável de Exu, que pediu para eu largasse tudo naquele momento para poder louvar o sagrado. A partir daquele dia, passei a frequentar os terreiros todas as quartas-feiras para aprender e estudar as cantigas”, disse ela, que adaptou sua técnica no violão para reproduzir a sonoridade característica da clássica viola, que tradicionalmente tem 10 cordas.
Uma mulher em um espaço masculino
Destaque em um universo marcado pela forte presença masculina, Isa considera simbólico ocupar esse espaço como mulher. “Ser a primeira mulher violeira de samba de terreiro da Bahia é um presente. Existe muita resistência, mas a intenção é continuar conquistando esse espaço para que venham mais meninas”, afirmou.

Foto: @lerdodemais
Com pouco mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, a violeira sonha em transformar sua trajetória em uma ferramenta de representatividade e inspiração.
“Hoje o meu maior objetivo é que, como a primeira mulher violeira de samba de terreiro, a gente consiga expandir, trazer mais mulheres e mais meninas. Que, através do samba de terreiro, venham a nascer projetos culturais nas escolas, nas cidades e nas comunidades, para que as pessoas cheguem, cresçam e aprendam”, finaliza.