Quem era Nirmal Purja, recordista do Himalaia que inspirou documentário da Netflix e morreu aos 43 anos

Quem era Nirmal Purja, recordista do Himalaia que inspirou documentário da Netflix e morreu aos 43 anos

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Aamir Qureshi/AFP

Publicado em 01/08/2026 às 14:43 / Leia em 3 minutos

A morte do montanhista britânico-nepalês Nirmal Purja, aos 43 anos, em uma avalanche no Broad Peak, no Paquistão, encerra a trajetória de um dos maiores nomes do alpinismo moderno. Recordista mundial, inspiração para o documentário “14 Peaks: Nothing Is Impossible”, da Netflix, e fundador de uma das principais empresas de expedições do Himalaia, ele também teve a carreira marcada por denúncias de abuso sexual, que sempre negou.

A morte foi confirmada neste sábado (1º) pela Elite Exped, empresa criada por Purja em 2021. O alpinista liderava uma expedição ao Broad Peak, montanha de 8.051 metros na cordilheira do Karakoram, quando uma avalanche atingiu o grupo na quinta-feira (30). O acidente deixou dez mortos.

Conhecido como Nimsdai, Purja nasceu em 1983, no distrito de Myagdi, no Nepal. Ainda jovem, ingressou no regimento Gurkha do Exército Britânico e, posteriormente, tornou-se o primeiro nepalês a integrar o Special Boat Service (SBS), unidade de elite da Marinha britânica. Foi durante a carreira militar que descobriu a paixão pelo montanhismo.

A projeção internacional veio em 2019, quando lançou o “Project Possible”, desafio de escalar os 14 picos do planeta acima de 8 mil metros em tempo recorde. Enquanto a marca anterior havia levado mais de sete anos para ser alcançada, Purja concluiu o feito em apenas seis meses e seis dias. Durante a jornada, também chamou atenção ao registrar a famosa imagem da fila de alpinistas próximo ao cume do Everest, que evidenciou a superlotação da montanha.

A façanha foi retratada no documentário “14 Peaks: Nothing Is Impossible”, lançado pela Netflix em 2021 e responsável por transformar Purja em uma celebridade mundial. Embora seu recorde tenha sido superado em 2023, ele voltou aos holofotes ao repetir, em 2024, a escalada dos 14 picos acima de 8 mil metros sem o uso de oxigênio suplementar, um dos maiores desafios do alpinismo de alta altitude. Antes do acidente, tentava repetir novamente a conquista e havia informado que o Broad Peak seria a penúltima montanha da expedição.

Nos últimos anos, porém, sua imagem passou a ser alvo de controvérsias. Em 2024, uma reportagem do The New York Times revelou denúncias de duas montanhistas. A ex-Miss Finlândia Lotta Hintsa afirmou que Purja tentou retirar suas roupas contra sua vontade em um quarto de hotel. Já a médica americana April Leonardo relatou que ele fez repetidas investidas sexuais durante uma expedição ao K2 e chegou a entrar em sua barraca, colocando a mão dela sobre sua virilha. À época, os advogados do alpinista negaram categoricamente as acusações, classificando-as como falsas e difamatórias.

Ao longo da carreira, Purja somou 56 ascensões a montanhas acima de 8 mil metros, sendo 28 delas sem oxigênio suplementar. Também participou, em 2021, da primeira escalada de inverno concluída com sucesso ao K2, a segunda montanha mais alta do planeta e considerada uma das mais difíceis do mundo.

Além do legado esportivo, consolidou a Elite Exped como uma das principais referências em expedições comerciais ao Himalaia. Purja deixa a esposa e uma filha.

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