O empresário baiano Alex Colombini, de 47 anos, natural de Jequié, passou 11 dias detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após ser abordado no Aeroporto Internacional de Boston-Logan, em 16 de julho. Morando há 21 anos no país, ele afirma ter um pedido de regularização migratória em andamento e diz que o caso reflete o endurecimento das ações contra imigrantes promovidas pelo governo de Donald Trump.
Dono de um jornal voltado à comunidade brasileira em Boston, Colombini embarcaria para Orlando, onde vive com a esposa e os três filhos, todos nascidos nos Estados Unidos, quando foi abordado por um agente do ICE à paisana logo após passar pelo raio-x.
“Quando eu passei pelo raio-x e ele olhou para mim, eu tomei um susto, pensei que era uma brincadeira. Ele se aproximou e me chamou pelo nome”, contou o baiano ao jornal O Globo. “Ele disse que era do ICE e para eu acompanhá-lo. Eu até falei que não podia, que tinha um voo, mas ele insistiu que eu tinha que ir. Quando saímos do aeroporto, já tinha um carro preto me esperando”, revelou.
Colombini foi levado para um centro de detenção do ICE em Burlington, nos arredores de Boston. Segundo ele, o local funcionava como uma espécie de delegacia, onde passou por procedimentos administrativos e foi informado sobre os motivos da detenção. O empresário afirma que não sofreu maus-tratos e conseguiu avisar a família por telefone. Seus advogados entraram com pedidos de habeas corpus e de liberdade mediante fiança.
“Não é como aquelas prisões de filme: ambiente hostil, sujo, perigoso, você se escondendo de assassino para não morrer. O local não era ruim. No meio do caos, podemos dizer até que era confortável. Tinha água quente, televisão, sofá para sentar. Eu vi a final da Copa lá”, lembra.
Com atuação na comunidade brasileira em Massachusetts e na Flórida, Colombini recebeu cartas de apoio de três deputados estaduais de origem brasileira e da governadora de Massachusetts. Ainda assim, afirma que a experiência deixou marcas. “É um sentimento de tristeza, de revolta. A grande maioria [das pessoas detidas] não é criminosa. Está aqui para trabalhar, não para cometer crimes. O problema é que o fato de estar fora de status, no governo Trump, já é considerado crime”, lamenta.
O caso ocorre em meio à ampliação das operações do ICE em aeroportos americanos. Segundo documentos obtidos pelo New York Times, pessoas com vistos vencidos ou com processos de renovação de visto de trabalho ou residência permanente em andamento também têm sido abordadas e detidas durante viagens domésticas.
Especialistas avaliam que a política migratória passou a atingir não apenas imigrantes com antecedentes criminais, mas também aqueles com pendências administrativas. Diante desse cenário, recomenda-se que imigrantes com processos de regularização em andamento ou situação migratória mais sensível evitem deslocamentos considerados desnecessários, especialmente por via aérea, até que seus casos sejam concluídos.
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