A possível chegada de Andrea Pirlo ao comando da seleção italiana entrou em dúvida neste domingo (26) após a Federação Italiana de Futebol passar a avaliar sua relação comercial com a Fonbet, empresa russa de apostas. As negociações estavam encaminhadas, mas a repercussão política levou a entidade a interromper o avanço do acordo.
O ex-meia se tornou embaixador global da companhia em outubro e participou, dois meses atrás, de um evento promovido pela marca no Estádio Luzhniki, em Moscou, ao lado de Marco Materazzi. A visita ocorreu enquanto a Ucrânia sofria novos ataques russos. Pirlo afirmou que sua presença teve caráter exclusivamente esportivo e não político.
A aproximação provocou críticas de parlamentares italianos. “Ele emprestou livre e repetidamente seu prestígio a um esforço de normalização para o regime de Putin, participando de iniciativas exploradas pela propaganda do Kremlin enquanto a Ucrânia era bombardeada. Escolhê-lo é um grave erro”, declarou Pina Picierno, vice-presidente do Parlamento Europeu.
Giovanni Malagò, presidente da Federação Italiana, pretende analisar o contrato com a Fonbet antes de decidir se mantém Pirlo como principal candidato ao cargo. O treinador tem o apoio de Paolo Maldini e Leonardo, responsáveis pela reformulação das seleções do país, mas ainda não foi anunciado oficialmente.
Atualmente no United FC, dos Emirados Árabes Unidos, Pirlo também trabalha para encerrar o vínculo com o clube. A equipe pertence ao empresário russo Sergey Lomakin, que possui interesses financeiros na Fonbet. O estafe do italiano sustenta que a saída poderia eliminar também a relação comercial com a casa de apostas, mas a federação busca garantias antes de retomar as conversas.