Amarildo, herói do bi da Copa de 1962, enfrenta Alzheimer e vive esquecido em hospital

Amarildo, herói do bi da Copa de 1962, enfrenta Alzheimer e vive esquecido em hospital

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Ivo Gonzalez/Agência O Globo

Publicado em 26/07/2026 às 11:11 / Leia em 4 minutos

Herói do bicampeonato mundial da seleção brasileira em 1962, Amarildo vive hoje uma realidade distante dos dias de glória no futebol. Aos 86 anos, o ex-atacante enfrenta o Alzheimer e está internado desde 2023 no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Enquanto a família acompanha de perto sua rotina, lamenta a falta de reconhecimento e apoio ao ex-jogador, considerado um dos protagonistas da conquista que fez do Brasil o último bicampeão consecutivo da história das Copas do Mundo.

Amarildo foi diagnosticado com um carcinoma na laringe em 2011. Segundo o filho, Rildo Corrêa, o tumor não podia ser removido cirurgicamente, e o tratamento foi feito com quimioterapia e radioterapia. O câncer foi superado, mas o tratamento comprometeu uma região do cérebro. Em 2018, veio o diagnóstico de Alzheimer e, em 2023, o ex-atleta sofreu três AVCs isquêmicos. Desde então, permanece internado em estado grave.

“O quadro clínico do meu pai é complicado. Ele perdeu a visão e é alimentado por sonda gástrica. A situação dele é muito, muito difícil. A gente sabe que o Alzheimer é uma condição degenerativa, mas fazemos de tudo para que ele possa viver dignamente”, contou Rildo ao O Globo.

A esposa de Amarildo, Fiamma Silveira, e o filho acompanham diariamente o ex-jogador. As despesas hospitalares são cobertas pelo plano de saúde fornecido pela CBF, mas a família afirma que o ex-craque foi esquecido pelo futebol brasileiro.

“Acho que o problema maior no futebol é a ingratidão. E vejo que meu pai foi colocado num total esquecimento. O que ele fez nunca foi valorizado da forma que merecia”, disse Rildo. Segundo ele, apenas alguns nomes seguem presentes, como Paulo Cézar Caju, Carlos Roberto, Bebeto, Vanderlei Luxemburgo e Dunga, que mantêm contato frequente e oferecem apoio.

Campeão mundial em 1994, Dunga acredita que a falta de reconhecimento não atinge apenas Amarildo. “Não é só o Amarildo que não tem reconhecimento, poucos jogadores têm aqui no país. Não sei se é porque o Brasil foi cinco vezes campeão do mundo. Na Inglaterra, por exemplo, ganharam uma e os caras são “deuses”. Não sei se a gente tem dificuldade de homenagear e reconhecer os campeões, e seguramente o Amarildo não é reconhecido”, reflete.

Reserva de Pelé na Copa de 1962, Amarildo assumiu o protagonismo após a lesão do Rei ainda na fase de grupos. Conhecido como “Possesso”, marcou três gols na campanha do título: dois na vitória por 2 a 1 sobre a Espanha e outro na final contra a Tchecoslováquia, vencida pelo Brasil por 3 a 1.

Nos clubes, Amarildo construiu uma trajetória marcante, especialmente no Botafogo, onde marcou 136 gols em 201 partidas e virou ídolo. Depois do Mundial, também fez carreira de destaque na Itália, defendendo Milan, Fiorentina e Roma. No Brasil, passou ainda por Goytacaz, Flamengo e encerrou a carreira no Vasco.

Para a família, porém, o reconhecimento ao ex-jogador é maior no exterior do que no próprio país. “Depois fica muito fácil falar de uma pessoa quando ela não está mais aqui. Aí vêm aqueles dois ou três dias de homenagens. Mas isso não serve. Posso dizer que meu pai é uma figura muito, muito mais valorizada na Itália, pela história que fez nos clubes, do aqui no Brasil”, lamenta Rildo.

Ele também relembrou o carinho de Diego Maradona pelo pai durante um encontro na Itália. “Quando o meu pai era treinador lá na Itália, a gente se encontrava várias vezes com o Maradona. Tenho lembranças muito boas do carinho dele com meu pai. Uma vez, isso eu nunca vou esquecer, em um evento em Milão, em 1990, Maradona estava sentado perto do meu pai, botou a mão no ombro dele e, com o microfone, falou: ‘O Brasil tem que agradecer muito porque ganhou a Copa de 62 por causa dessa pessoa aqui’.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia