Día de los Muertos: Sinísia Coni estreia livro com olhar poético sobre tradição mexicana milenar

Día de los Muertos: Sinísia Coni estreia livro com olhar poético sobre tradição mexicana milenar

Redação Alô Alô Bahia

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Sinísia Coni

Publicado em 27/04/2026 às 10:13 / Leia em 4 minutos

A fotógrafa baiana Sinísia Coni lança, no dia 12 de maio, o livro “El Día de los Muertos”, em evento no Palacete Tira Chapéu, na Rua Chile, em Salvador. Publicada pela Editora P55, a obra reúne 87 imagens ao longo de 204 páginas e apresenta uma imersão sensível na tradicional celebração mexicana, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O livro nasceu a partir da primeira viagem da artista ao México, em 2016, quando teve contato direto com o Día de los Muertos, celebração de origem indígena que acontece entre o fim de outubro e o início de novembro. As fotografias foram feitas especialmente na Cidade do México e em Oaxaca, dois dos principais polos da festividade. Mais do que um registro documental, a publicação propõe um olhar poético sobre a relação dos mexicanos com a morte, marcada por cor, memória e permanência.

“Mais do que um documentário visual, este livro nasceu como uma passagem afetiva. É uma tentativa de escutar com o olhar. Cheguei com os olhos de fotógrafa, mas foi a alma quem primeiro foi tocada. E foi nesse gesto que compreendi que a morte, para o povo mexicano, não sela os ciclos. Ela os renova. É ponte. É laço. É uma continuidade invisível que atravessa gerações. É expressão viva da ancestralidade: presente, colorida, cotidiana”, escreve Sinísia.

Sinísia Coni | Foto: Divulgação

A publicação é trilíngue, com versões em português, inglês e espanhol, e constrói um diálogo entre imagem e reflexão. Além das fotografias e textos da própria autora, o livro traz contribuições do filósofo, psicanalista e escritor Marcos Bulcão, além de apresentação assinada por Tiago de Oliveira Pinto, chefe da Cátedra UNESCO de Estudos Transculturais da Universidade de Weimar.

“Há uma crença no México de que só morremos de verdade quando nosso nome é pronunciado pela última vez. Enquanto alguém se lembrar de nós, mesmo que seja só uma história, um sorriso, um hábito herdado, algo de nós ainda estará vivo. Essa ideia está no coração do Día de los Muertos. Nas casas, escolas e cemitérios, constroem-se oferendas com imagens dos entes queridos, suas comidas favoritas, flores de cempasúchil e velas acesas. A fotografia, aqui, não é apenas símbolo: é um portal”, escreve Marcos Bulcão, em um dos trechos.

Com formação em História pela Universidade Federal da Bahia, Sinísia Coni desenvolve um trabalho documental marcado pela escuta e pela sensibilidade, com forte atuação na fotografia de rua. O interesse pela imagem surgiu ainda na infância, influenciado pelo pai, o médico Antônio Caldas Coni, que fotografava com uma Rolleiflex. Aos 15 anos, ela ganhou dos pais um laboratório fotográfico, onde começou a revelar e ampliar suas próprias imagens. “Comecei fotografando o meu bairro, amigos, depois meus filhos e as viagens”, relembra.

A profissionalização veio mais tarde. “Só vim me interessar profissionalmente há pouco mais de 16 anos, quando comecei a utilizar bons equipamentos, criando uma vasta fototeca. A partir daí, comecei a fazer minhas exposições, lançando no momento meu primeiro livro e já elaborando o segundo que terá como tema, a Bahia”, conta.

Considerada street photographer, a artista já expôs seu trabalho em países como França, Portugal, Noruega e Índia. No Brasil, realiza mostras desde 2012, com passagens por Salvador, São Paulo, Distrito Federal, Itabuna e Cachoeira.

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