Espetáculo gratuito “Dançando Godot” estreia no MAB e segue até domingo (26) em Salvador

Espetáculo gratuito “Dançando Godot” estreia no MAB e segue até domingo (26) em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Aldren Lincoln

Publicado em 23/04/2026 às 14:44 / Leia em 3 minutos

O Grupo X de Improvisação em Dança estreia nesta quinta-feira (23) a obra inédita “Dançando Godot – Relaxed Performance”, que fica em cartaz até domingo (26) no Museu de Arte da Bahia (MAB), com entrada gratuita. As sessões acontecem das 16h às 20h nesta quinta e sexta, e das 14h às 18h no sábado e domingo, com dois ciclos de duas horas por dia, em uma proposta que convida o público a entrar, sair e retornar ao espaço ao longo da apresentação.

Livremente inspirada em “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, a criação parte da ideia de espera como ação e movimento, explorando ausências, encontros e os rastros do cotidiano. Em vez de aguardar um desfecho, a performance propõe habitar o percurso, transformando o ordinário em matéria cênica. “O caminho é uma espera em movimento”, resume a intérprete Camila Nantes, sintetizando o princípio do trabalho.

Com 28 anos de trajetória, o Grupo X mantém a improvisação como eixo central de pesquisa, ocupando ao longo do tempo espaços públicos como praças e pontos de ônibus, onde o cotidiano se revela em sua forma mais simples. Em “Dançando Godot”, não há personagens fixos, mas corpos em trânsito que constroem a cena a partir de ações, relações e da presença. O papelão, elemento central, ganha protagonismo como matéria sonora e visual, enquanto luz, trilha e cenografia são manipuladas e criadas ao vivo pelos intérpretes.

Dirigida por Edu O. e Fafá Daltro, a obra reúne em cena Camila Nantes, Elenilson Azevedo, Lua Candeia, Thiago Cohen e Vinícius Haastari, em uma experiência que valoriza o corpo comum. “O extraordinário não está no corpo sublime da dança, quase mitológico, mas no corpo ordinário”, afirma Edu O.

A proposta adota o formato de relaxed performance, ainda pouco difundido no Brasil, que amplia o acesso ao público ao flexibilizar convenções tradicionais das artes cênicas. Durante as quatro horas de duração contínua, o espectador pode circular livremente, descansar, permanecer em silêncio ou acompanhar as ações, com suporte de uma equipe preparada para acolhimento e espaços de repouso. A iniciativa busca contemplar pessoas com deficiência, neurodivergentes, com doenças crônicas, além de famílias com crianças, promovendo uma experiência sensorial mais inclusiva.

Como desdobramento do projeto, o grupo também prepara o lançamento de um documentário sobre sua trajetória, reunindo depoimentos e performances que atravessam mais de duas décadas de pesquisa em improvisação, com estreia prevista para maio na Saladearte Cinema da UFBA.

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