“Taxa das blusinhas” preservou 135 mil empregos, estima CNI

“Taxa das blusinhas” preservou 135 mil empregos, estima CNI

Redação Alô Alô Bahia

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Agência Brasil

Publicado em 22/04/2026 às 16:48 / Leia em 3 minutos

A cobrança de imposto sobre compras internacionais de baixo valor, popularmente chamada de “taxa das blusinhas”, apresentou impactos positivos para a economia brasileira, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da resistência de parte dos consumidores, a medida contribuiu para reduzir importações, preservar empregos e ampliar a arrecadação federal.

De acordo com o estudo, bilhões de reais deixaram de ser gastos em produtos estrangeiros, enquanto o consumo interno foi impulsionado. A análise considerou o valor médio das remessas ao longo de 2025 e comparou a projeção inicial de importações com os dados efetivamente registrados no período.

Entre os principais resultados apontados estão R$ 4,5 bilhões em importações evitadas e a preservação de aproximadamente 135,8 mil postos de trabalho no país. O levantamento também indica que R$ 19,7 bilhões circularam na economia brasileira em função da medida. No mesmo intervalo, houve queda de 10,9% no número de encomendas internacionais entre 2024 e 2025, além de recuo de 23,4% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.

A arrecadação com o imposto também apresentou crescimento. Em 2024, o total foi de R$ 1,4 bilhão, avançando para R$ 3,5 bilhões em 2025.

Segundo a CNI, a tributação ajudou a reduzir a concorrência considerada desigual, especialmente em relação a produtos importados, em grande parte oriundos da China, permitindo maior competitividade à indústria nacional. Em nota, o superintendente de Economia da entidade, Marcio Guerra, afirmou: “O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda”. Ele acrescentou: “Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”.

A regra estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida passou a valer em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, que regula operações de e-commerce internacional. O imposto é aplicado no momento da compra, o que facilita a fiscalização e reduz irregularidades.

Os dados indicam que o volume de remessas internacionais caiu após a implementação. Em 2024, foram registradas 179,1 milhões de encomendas, número que recuou para 159,6 milhões em 2025. Sem a tributação, a projeção da indústria era de que esse total ultrapassaria 205 milhões de pacotes.

Antes da mudança, produtos importados de baixo valor frequentemente ingressavam no país com tributação reduzida ou incompleta, enquanto itens nacionais seguiam sujeitos à carga tributária integral. Para a CNI, esse cenário gerava desequilíbrio competitivo.

A entidade também destaca que a nova sistemática contribuiu para coibir práticas como subfaturamento, fragmentação de pedidos e uso indevido de isenções fiscais. Com a obrigatoriedade de recolhimento dos tributos pelas plataformas no momento da venda, houve aumento no controle e redução de fraudes.

Na avaliação da indústria, o principal efeito da medida é o fortalecimento da produção nacional, com impacto direto na manutenção de empregos e na geração de renda no país.

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