Mesmo sendo a primeira geração totalmente digital, a chamada Geração Z tem contribuído para o retorno do movimento nos shoppings centers. Jovens consumidores têm redescoberto a experiência de comprar presencialmente, ajudando a impulsionar a recuperação de um setor que enfrentou queda de público e fechamento de lojas nos últimos anos.
Um exemplo é a jovem Savera Ghorzang, de 24 anos. Embora passe boa parte do tempo no celular, ela preferiu ir a um shopping quando precisou comprar uma roupa para um encontro no Dia dos Namorados. “Não gosto muito de compras online. Sou do tipo que quer tudo na hora”, disse à reportagem do The Wall Street Journal. Durante a visita, ela registrou a experiência nas redes sociais enquanto experimentava uma blusa de renda preta.
Dados da empresa de pesquisa NielsenIQ mostram que os gastos da Geração Z estão crescendo mais rapidamente que os das demais gerações. A expectativa é que o consumo anual global desse grupo ultrapasse US$ 12 trilhões até 2030. Já um levantamento da Circana aponta que jovens entre 18 e 24 anos realizaram 62% de suas compras em lojas físicas no último ano, índice superior ao de consumidores com 25 anos ou mais, que fizeram 52% das compras presencialmente.
Para especialistas, o interesse da geração mais jovem representa um alívio para os shoppings, que sofreram com a migração do consumo para o comércio eletrônico nas últimas décadas. Enquanto os millennials se afastaram desses espaços, os jovens da Geração Z têm voltado a frequentá-los, impulsionando novamente a demanda por lojas físicas.
A experiência social é um dos principais atrativos. Para muitos jovens, passear no shopping significa encontrar amigos, experimentar produtos e produzir conteúdo para redes sociais. “Todo mundo está influenciando agora”, afirmou Savera Ghorzang. “Essa loja provavelmente está cheia de pelo menos 20 a 30 influenciadores.”
O fenômeno também é explicado pelo contexto em que essa geração cresceu. Muitos passaram parte da adolescência durante os períodos de isolamento da pandemia e agora veem nas idas ao shopping uma forma de socialização. “Mesmo que eu não compre nada, só sair já é muito divertido”, disse Pranvi Yarvaneni, de 14 anos, durante visita ao Tysons Corner Center, nos arredores de Washington.
Diante desse movimento, shoppings têm adaptado seus espaços para atrair o público jovem, criando ambientes considerados “instagramáveis”, promovendo eventos com influenciadores e recebendo marcas que nasceram no ambiente digital e agora investem em lojas físicas.