Após um ciclo histórico no Oscar, o cinema brasileiro segue em 2026 sob expectativa elevada e também sob o desafio de sustentar a visibilidade internacional conquistada recentemente. Como apontam especialistas, o momento é de auge criativo e projeção global, mas repetir feitos consecutivos na principal premiação do cinema mundial ainda é visto como uma tarefa complexa.
Nesse cenário, a nova safra de lançamentos nacionais reforça a diversidade de narrativas, estéticas e territórios explorados pelo audiovisual brasileiro, com produções que já chegam respaldadas por festivais internacionais e nomes consolidados da direção.
Um dos destaques é “Feito Pipa”, novo longa de Allan Deberton, que teve estreia celebrada no Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme conquistou o Grand Prix do Júri Internacional de Melhor Filme na mostra Generation Kplus e o Urso de Cristal do Júri Jovem. A trama acompanha Gugu, o jovem baiano Yuri Gomes, um menino de 12 anos criado pela avó e apaixonado por futebol, que tenta evitar a convivência com o pai ausente, interpretado pelo conterrâneo Lázaro Ramos.
Também revelado em Berlim, “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” marca a estreia de Janaína Marques em longas-metragens. Exibido na mostra Fórum, o filme foi premiado pelo júri de leitores do jornal alemão Tagesspiegel e acompanha Rosa, uma mulher solitária que mergulha em uma jornada subjetiva ao realizar uma ressonância magnética. Tem a baiana Luciana Souza no elenco.
No campo do documentário, Eliza Capai apresenta “A Fabulosa Máquina do Tempo”, exibido na Berlinale. A produção observa a transição para a adolescência de meninas do sertão brasileiro, abordando temas como religião, gênero e alcoolismo sob uma perspectiva sensível e, ao mesmo tempo, lúdica.
Outra aposta é “Yellow Cake”, de Tiago Melo, exibido no Festival Internacional de Cinema de Roterdã. Com Tânia Maria no elenco, o filme mistura ciência e ficção ao retratar um grupo de pesquisadores no interior da Paraíba que tenta combater o mosquito transmissor da dengue com o uso de urânio.
Entre as produções mais ambiciosas, “Corrida dos Bichos” reúne Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis em uma ficção científica ambientada em um Rio de Janeiro distópico. Inspirado no universo do jogo do bicho, o longa traz um elenco estrelado, com nomes como Rodrigo Santoro, Bruno Gagliasso, Seu Jorge, Thainá Duarte, Grazi Massafera e Silvero Pereira.
Já “Geni e o Zepelim”, de Anna Muylaert, chega reformulado após críticas iniciais. Inspirado na canção de Chico Buarque, o filme propõe uma releitura da história de Geni, agora uma mulher trans que vive em uma cidade ribeirinha na Amazônia, tensionando relações sociais e políticas em meio à invasão de um comandante tirânico.
Com títulos que transitam entre o cinema autoral, o documentário e produções de maior apelo comercial, o Brasil apresenta em 2026 uma vitrine consistente de sua potência criativa. Se o caminho até novas indicações ao Oscar ainda é incerto, a pluralidade de vozes e a presença em festivais internacionais indicam que o cinema nacional segue em movimento e com fôlego para continuar relevante no cenário global.