Encerrada a temporada de premiações e a campanha do Oscar, no último domingo (15), nomes brasileiros que ganharam projeção internacional já estão de olho nos próximos projetos, entre produções autorais, parcerias internacionais e novos desafios criativos.
O diretor Kleber Mendonça Filho, por exemplo, começa a desenvolver em abril seu novo longa-metragem, um drama ambientado no Recife dos anos 1930, período anterior à Segunda Guerra Mundial. O projeto mantém o olhar do cineasta para narrativas históricas e sociais, marca de sua filmografia.
Já o ator e diretor Wagner Moura vive um momento de intensa atividade. Seu próximo trabalho a chegar ao público deve ser “11817”, ficção científica dirigida por Louis Leterrier para a Netflix. O longa, coestrelado por Greta Lee, foi rodado em Londres em 2025 e acabou coincidindo com a cerimônia do Festival de Cannes, que o ator precisou deixar de comparecer.
Na sequência, Moura se dedica ao seu segundo longa como diretor, após “Marighella”, lançado no Festival de Berlim em 2019. Em entrevista anterior, ele antecipou detalhes do projeto, batizado de “Last Night at The Lobster”. O filme é baseado no livro de Stewart O’Nan e produzido pelo Peter Serafin, de “Pequena Miss Sunshine” e “Adaptação”.
“Tem um elenco ótimo. Brian Tyree Henry, meu brother, vai fazer. Elisabeth Moss, minha amiga, vai fazer. Sofia Carson, uma menina massa, cantora e atriz. É um filme de Natal, seguindo a tradição de filmes de Natal americanos. Mas, dirigido por mim. Portanto, é um filme de Natal anticapitalista sobre os últimos dias de funcionamento de um restaurante, que faz parte de uma cadeia de restaurantes em que os executivos decidem fechar o local e demitir todos os funcionários uma semana antes do Natal”, revelo o baiano, indicado ao Oscar de Melhor Ator, em outubro, ao Valor Econômico.
Além de atuar e dirigir, Wagner também assume funções de ator e produtor em “A Estrangeira”, estreia de sua esposa, Sandra Delgado, na direção e no roteiro de um longa de ficção inspirado na vida da fotógrafa Claudia Andujar.
Outro nome em evidência é o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado ao Oscar por “Sonhos de Trem”. Recentemente, ele apresentou “Queen at Sea”, drama de Lance Hammer estrelado por Juliette Binoche, no Festival de Berlim. Veloso também assina a fotografia de “Remain”, novo filme de M. Night Shyamalan, previsto para estrear em 2027. No tapete vermelho, ele negou ter sido procurado por Steven Spielberg, embora a imprensa americana aponte que o diretor teria se impressionado com seu trabalho.
O trio principal de “Ainda Estou Aqui” também segue em ritmo acelerado. O cineasta Walter Salles desenvolve atualmente uma série sobre o jogador Sócrates para o Globoplay. Já Fernanda Torres filmou a comédia “Os Corretores”, escrita por ela e dirigida por Andrucha Waddington, com estreia prevista para o segundo semestre.
Enquanto isso, Selton Mello mantém uma agenda internacional movimentada. Após lançar “Anaconda”, ele participou de produções no Chile, como “La Perra”, de Dominga Sotomayor, e na França, com “I Don’t Even Know Who I Was”, dirigido por João Paulo Miranda Maria. O ator também prepara uma adaptação de “O Alienista”, de Machado de Assis, desta vez como diretor.