Autor baiano explica proposta de “A Nobreza do Amor”, novela que estreia nesta segunda (16) com Lázaro Ramos

Autor baiano explica proposta de “A Nobreza do Amor”, novela que estreia nesta segunda (16) com Lázaro Ramos

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Estevam Avellar/Globo

Publicado em 16/03/2026 às 09:20 / Leia em 4 minutos

A África surge na televisão brasileira sob um novo olhar a partir desta segunda-feira (16), com a estreia da novela “A Nobreza do Amor”, nova produção da faixa das 18h da TV Globo. Criada pelos autores Duca Rachid, Júlio Fischer e pelo baiano Elísio Lopes Júnior, a trama apresenta uma fábula afro-brasileira que desloca o foco das narrativas tradicionais sobre escravidão para mostrar um império africano próspero, governado por uma realeza negra e livre.

No centro da história está o fictício Reino de Batanga, um território rico e poderoso que faz parte do universo épico criado pelos autores. Segundo Elísio, a proposta da novela é ampliar o olhar sobre a presença africana na formação cultural brasileira. “Esta novela propõe uma identificação de africanidade e, principalmente, da nossa nobreza”, disse Elísio ao GLOBO. “A História não pode ser pautada na dor, que faz parte, mas é importante entendermos o que de bom e de rico essa herança de África nos traz”, diferencia.

A narrativa se divide entre Batanga e a cidade fictícia de Barro Preto, no Rio Grande do Norte. Após um golpe que derruba o rei Cayman II, interpretado por Welket Bungué (na foto, de vermelho), a rainha Niara, vivida por Erika Januza, foge para o Brasil ao lado da filha, a princesa Alika, personagem de Duda Santos. Enquanto tentam reconstruir a vida longe do trono, forças de resistência se organizam na África para enfrentar o novo governante, o primeiro-ministro Jendal, vilão interpretado por Lázaro Ramos.

Para Elísio, a estrutura narrativa que alterna entre os dois continentes foi um dos maiores desafios da escrita. “É uma novela extremamente difícil de escrever porque ela tem uma prosódia distinta”, conta. “Temos Batanga e o Rio Grande do Norte e contamos a história a partir das duas arenas todo o tempo. Em quase todos os capítulos, vamos aos dois lugares. As histórias de lá e cá estão conectadas. Não tem África só numa primeira fase”.

Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior (sentado) | Foto: Fabio Rocha/TV Globo

O desenvolvimento da trama começou logo após o trio concluir “Amor Perfeito”, exibida em 2023. Desde então, os autores mergulharam em pesquisas históricas sobre lideranças africanas para construir a base do reino fictício. A principal inspiração para Batanga veio de referências ligadas a Angola, mas o levantamento incluiu diferentes regiões do continente. “Fizemos uma longa pesquisa de princesas, reis, militares africanos, que indicaram: ‘Essa história de vocês faz sentido, tem uma lógica’”, conta o roteirista.

Além da dimensão histórica, a produção também busca provocar reflexões sobre identidade e autoestima. Para Erika Januza, que tem mais de 15 anos de carreira, a novela pode representar um marco na teledramaturgia brasileira. “Nossa autoestima foi muito afetada. Vivemos numa sociedade que só mostrou nosso passado de forma negativa, não era dito que havia reis e rainhas”, diz. “Quando começamos a contar isso, a geração futura vê a origem do povo preto, e isso não é (positivo) só para crianças negras, mas também paras as brancas e as indígenas. É uma nova construção de futuro”, disse.

Baiano de Salvador, Elísio também vê com humor as comparações feitas nas redes sociais entre Batanga e Wakanda, o reino fictício apresentado no filme “Pantera Negra”, dirigido por Ryan Coogler. “Eles estão aqui, ao nosso lado, basta entender suas origens. É óbvio que botei minha camisa, peguei meu boneco e fui ao cinema assistir ‘Pantera Negra’”, diz. “Mas é também muito importante dizer que sou da terra do Ilê Aiyê. Estou acostumado a ir ao Carnaval e estar de mão dada com alguém vestindo roupa de amarração, turbante, colares e pulseiras douradas. Essas referências fazem parte da cultura popular do Brasil. Os figurinos de quadrilhas juninas, do Boi Garantido, das Festas de Rei, todos misturam esses elementos. Só que ninguém parou para perguntar de onde vem esse turbante. Vem de África! Essa apropriação da africanidade que a novela traz como grande colaboração”.

Com direção artística de Gustavo Fernandez, “A Nobreza do Amor” estreia nesta segunda-feira (16) na programação das 18h da Globo.

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