O ator Sean Penn chamou atenção no Oscar 2026 ao não comparecer à cerimônia realizada neste domingo (15), mesmo após ser anunciado como vencedor do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel no filme “Uma Batalha Após a Outra”. A ausência do artista reacendeu discussões sobre sua relação historicamente distante e muitas vezes crítica com o circuito de premiações de Hollywood.
No longa, Penn interpreta o coronel Steven Lockjaw, um militar rígido e atormentado por seu passado. O personagem, descrito como ao mesmo tempo cômico e assustador, envolve-se brevemente com a revolucionária Perfidia Beverly Hills, vivida por Teyana Taylor. Anos depois, o militar mobiliza literalmente um exército para impedir que o episódio comprometa suas ambições políticas.
A vitória marca a terceira estatueta da carreira do ator. Penn já havia conquistado o Oscar de Melhor Ator por “Sobre Meninos e Lobos” e “Milk: A Voz da Igualdade”, tornando-se o oitavo intérprete da história da premiação a acumular três troféus. Na disputa deste ano, ele superou o colega de elenco Benicio del Toro, além de Delroy Lindo, indicado por “Pecadores”, Jacob Elordi, por “Frankenstein”, e Stellan Skarsgård, por “Valor Sentimental”.
Conhecido por performances intensas e personagens complexos, Penn também construiu fama por demonstrar pouco entusiasmo com o circuito de premiações de Hollywood, algo que ajuda a explicar sua ausência na cerimônia deste ano. Ao longo da carreira, o ator já expressou críticas ao sistema de prêmios da indústria e frequentemente mantém certa distância desses eventos.
O contraste entre o militar conservador que interpreta em seu novo filme e sua própria trajetória pública também chama atenção. Fora das telas, Penn ficou conhecido por posições políticas liberais e por seu ativismo humanitário.
Em 2015, por exemplo, viajou secretamente ao México para entrevistar o narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán pouco antes da prisão do chefe do crime organizado. O ator também manteve proximidade com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e chegou a entregar sua estatueta conquistada por “Sobre Meninos e Lobos” ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, afirmando que o prêmio poderia ser derretido “para virar balas que eles possam disparar contra os russos”.
A ausência no Oscar 2026, portanto, não foi exatamente uma surpresa para quem acompanha a trajetória do ator, marcada tanto por papéis intensos quanto por uma postura frequentemente crítica em relação à própria indústria que o consagrou.