Do primeiro encontro em Salvador ao Oscar 2026: relembre início da amizade entre Wagner Moura e Lázaro Ramos

Do primeiro encontro em Salvador ao Oscar 2026: relembre início da amizade entre Wagner Moura e Lázaro Ramos

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Reprodução/Instagram

Publicado em 13/03/2026 às 19:31 / Leia em 3 minutos

Lázaro Ramos já carimbou o passaporte para Los Angeles. O baiano confirmou, nesta sexta-feira (13), que estará ao lado de Wagner Moura na cerimônia do Oscar 2026. A presença na premiação, onde Moura concorre a Melhor Ator por “Agente Secreto”, celebra muito mais do que um marco na carreira internacional do amigo. O tapete vermelho será o novo cenário de uma parceria artística e pessoal que atravessa três décadas, desde os palcos de Salvador.

O roteiro dessa relação começou quando os dois ainda eram adolescentes na capital baiana. Durante uma apresentação do Bando de Teatro Olodum, Wagner, então com 17 ou 18 anos (não confirmado pelo próprio Moura), ficou paralisado pela presença de palco de um jovem Lázaro, de apenas 16.

A sensação, descrita anos depois por Moura no podcast PodPah, foi de uma conexão quase espiritual. Guiado por essa intuição de que havia uma “luz diferente” no colega, ele foi direto ao camarim após o espetáculo e fez um pedido: “Eu quero ser seu amigo”. A resposta afirmativa selou o encontro.

A versão de Lázaro para o mesmo episódio carrega um tom mais cômico. Também em entrevista ao PodPah, ele confessou que a abordagem repentina gerou um certo susto. Na época, Wagner ostentava um visual alternativo, com roupas pretas e o cabelo cobrindo o rosto, o que lhe rendeu o apelido de “ÓVNI” nos corredores do teatro.

Diante da proposta, a aceitação imediata teve um motivo sincero e inusitado. “Eu fiquei amigo dele por medo! A verdade é essa”, brincou Lázaro.

Foto: Reprodução/Instagram

O companheirismo forjado nos bastidores logo se traduziu em sucesso nas telas. Os baianos dividiram os holofotes em produções marcantes do cinema nacional, como “Cidade Baixa” (2005) e “Ó Paí, Ó” (2007).

O longa ambientado no Pelourinho, inclusive, eternizou uma das cenas mais fortes da dupla. Na trama, o personagem Boca (Wagner) destila ofensas racistas contra Roque (Lázaro) ao cobrar uma dívida.

A resposta vem em um monólogo contundente, no qual Roque questiona a humanidade negada à população negra: “Por acaso negro não tem olhos? Não come da mesma comida? Não sofre das mesmas doenças? Não precisa dos mesmos remédios? Quando vocês dão porrada na gente, a gente não sangra igual?”.

A entrega na gravação dessa sequência ultrapassou o roteiro e marcou a memória dos dois. Wagner Moura relembrou recentemente que a intensidade da atuação do amigo o desarmou por completo no set. Ele tinha uma fala prevista para logo após o discurso de Roque, mas o impacto das palavras o impediu de continuar a cena.

Foto: Divulgação

Essa admiração mútua pauta a trajetória de ambos até hoje. Seja comemorando publicamente a vitória de Moura no Globo de Ouro ou arrumando as malas para o Oscar neste fim de semana, ambos mantêm viva a promessa feita naquele camarim.

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