Um dos medicamentos mais comentados dos últimos anos está prestes a entrar em uma nova fase. A patente da substância semaglutida, usada no Ozempic, deve expirar no Brasil no próximo dia 20 de março, abrindo caminho para a chegada de versões genéricas do remédio.
Produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, o medicamento se tornou popular inicialmente no tratamento do diabetes tipo 2, mas ganhou grande visibilidade mundial pelo uso em terapias de emagrecimento.
Com o fim da exclusividade, outras farmacêuticas poderão fabricar medicamentos com o mesmo princípio ativo, o que tende a aumentar a concorrência no mercado e reduzir os preços. Atualmente, uma caixa mensal do Ozempic pode custar entre cerca de R$ 825 e R$ 1.699, dependendo da dose.
Especialistas estimam que os genéricos possam chegar ao mercado entre 15% e 60% mais baratos, seguindo o padrão observado quando medicamentos perdem a patente. Algumas projeções indicam valores mensais na faixa de R$ 400 a R$ 650, embora o preço final dependa da aprovação e da estratégia das empresas.
A expectativa também é de crescimento do mercado. Hoje, os medicamentos à base de semaglutida movimentam entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões por ano no Brasil, e a entrada de genéricos pode ampliar ainda mais esse segmento.
Laboratórios brasileiros e internacionais já se preparam para disputar esse mercado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu diversos pedidos de registro de medicamentos com semaglutida, e alguns processos estão sendo analisados.
Apesar da expectativa de queda de preços, especialistas avaliam que a redução pode não ser tão drástica no início, já que a produção da substância e das canetas de aplicação ainda envolve custos elevados. Mesmo assim, o fim da patente deve ampliar o acesso a um dos medicamentos mais procurados atualmente para controle do diabetes e da obesidade.