Importadores defendem que gasolina aumente em, pelo menos, R$ 1,22 no Brasil

Importadores defendem que gasolina aumente em, pelo menos, R$ 1,22 no Brasil

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Publicado em 09/03/2026 às 14:51 / Leia em 3 minutos

A escalada do conflito no Oriente Médio levou o preço internacional do petróleo a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. A valorização amplia a diferença entre os valores praticados no Brasil e as cotações externas e pode pressionar reajustes nos combustíveis vendidos nas refinarias da Petrobras.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a atual defasagem indicaria necessidade de aumento de R$ 1,22 por litro na gasolina nas refinarias da estatal. Para o diesel, a diferença estimada chega a R$ 2,74 por litro.

A disparada do petróleo ocorre após o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, o barril do Brent, referência global para o setor, passou de US$ 72,48 para US$ 108,23, uma alta de 49,3%.

Segundo a Abicom, essa valorização ampliou significativamente a diferença entre os preços internos e o mercado internacional. Pelos cálculos da entidade, a defasagem atual corresponde a cerca de 49% na gasolina e 85% no diesel.

“Não sei o que a Petrobras vai fazer, mas já deveria ter repassado parte dessa parcela, em linha com o que foi anunciado por outras petroleiras do mundo.”, afirmou Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na última sexta-feira que a empresa ainda avalia o cenário antes de definir eventuais mudanças nos preços.

“Neste momento, essa questão ainda não está respondida”, disse durante coletiva sobre os resultados da companhia em 2025.

Segundo ela, a intensidade e a duração da volatilidade no mercado internacional serão fatores determinantes para eventuais decisões. “Se essa volatilidade for tão grande assim, certamente, ela vai exigir respostas mais rápidas que exigiriam se a alta fosse mais lenta. Mas, neste momento, não temos sequer essa premissa.”

Para o analista Vitor Sousa, da Genial Investimentos, a alta recente ainda não compromete os estoques no país, mas pode levar a ajustes caso o cenário se prolongue.

“O preço do petróleo a US$ 100 por uma semana não muda nada, mas se isso se prolongar por mais tempo, a questão começa a preocupar. Por enquanto, ninguém está reclamando.”

Antes da recente valorização do petróleo, os preços internos da gasolina estavam alinhados ao mercado externo. A estabilidade vinha desde janeiro, quando a Petrobras reduziu em 5,2% o valor do combustível nas refinarias.

Na ocasião, a decisão acompanhou a queda do Brent ao longo de 2025, quando o barril acumulava recuo próximo de 20%. No final do ano passado, o petróleo chegou a ser negociado a US$ 60,85, reduzindo a defasagem para cerca de R$ 0,20 por litro.

A política atual de preços da Petrobras foi adotada em maio de 2023. O modelo substituiu a paridade internacional como principal referência para reajustes da gasolina e do diesel. A política anterior havia sido implantada em 2016 e permitia alterações frequentes, inclusive diárias, acompanhando diretamente as variações do mercado global.

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