No interior da Bahia, longe dos centros urbanos, mulheres ainda realizam um dos trabalhos mais duros do país. Nas pedreiras da Chapada Diamantina, passam o dia quebrando rochas sob sol intenso para transformar pedra bruta em paralelepípedos — cada unidade vendida por cerca de R$ 0,15.
Essa realidade é retratada no livro Mulheres de Pedra (Editora Noir, 2026), do fotógrafo e jornalista Alexandre Augusto, que será lançado no próximo dia 12 de março, em Salvador. A obra reúne 58 fotografias que mostram a dureza do trabalho, além da resistência e da dignidade dessas trabalhadoras.

Alexandre Augusto lança livro sobre trabalhadoras das pedreiras da Chapada Diamantina
Historicamente associado aos homens, o ofício também é exercido por mulheres que ajudam a manter a produção para garantir o sustento da família. Muitas começaram ainda jovens e seguem uma tradição que atravessa gerações.
Além da jornada nas pedreiras, elas ainda assumem outras responsabilidades em casa, como cuidar dos filhos e preparar a comida, em uma rotina marcada pela sobrecarga feminina.

Livro Mulheres de Pedra (Editora Noir, 2026)
O livro também aborda temas como informalidade, desigualdade de gênero e invisibilidade social. Para algumas famílias, o trabalho com a pedra permitiu pequenas conquistas ao longo dos anos, como ampliar a casa ou adquirir bens básicos.
“Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos”, relata uma das trabalhadoras retratadas.

Livro Mulheres de Pedra (Editora Noir, 2026)
No prefácio da obra, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo chama atenção para um detalhe simbólico nas imagens. “Eloquente é o detalhe do esmalte nas unhas das trabalhadoras. O esmalte trabalha contra a lógica da pedra, da dureza e da pobreza”, observa.
Entre força e delicadeza, exaustão e dignidade, Mulheres de Pedra lança luz sobre uma realidade ainda pouco conhecida do sertão baiano.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres de Pedra
Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8 – 3º andar – Vitória
12 de março
19h às 21h – Salvador.