Irã mira Europa e diz que países serão ‘alvos’ se apoiarem EUA e Israel

Irã mira Europa e diz que países serão ‘alvos’ se apoiarem EUA e Israel

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 06/03/2026 às 17:56 / Leia em 4 minutos

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou que países europeus poderão ser considerados alvos militares caso decidam apoiar diretamente os Estados Unidos e Israel no conflito em curso no Oriente Médio, iniciado no último sábado (28).

A declaração foi feita durante entrevista ao canal France 24 e ocorreu após governos europeus manifestarem apoio à ofensiva conduzida por Washington e Tel Aviv contra o território iraniano.

Segundo Takht-Ravanchi, autoridades iranianas já haviam alertado os países europeus sobre os riscos de participação no conflito. “[Nós já tínhamos] informado aos europeus e todos os demais que deveriam ter cuidado para não se envolverem nessa guerra de agressão contra o Irã.”

Ele acrescentou que qualquer país que se alinhe militarmente com Estados Unidos e Israel poderá enfrentar retaliação. “Se [algum país] se juntar aos Estados Unidos e a Israel na agressão contra o Irã, também se tornará alvo legítimo de retaliação iraniana”.

Em resposta às declarações iranianas e à escalada militar, Alemanha, França e Reino Unido divulgaram uma nota conjunta na qual pedem o fim do que classificaram como “ataques imprudentes” promovidos pelo Irã. No comunicado, os três governos afirmam que estão dispostos a adotar medidas consideradas defensivas para impedir que o país continue lançando mísseis e drones.

A diplomacia alemã também declarou que este não seria o momento de “dar lições” aos aliados envolvidos nos ataques contra o Irã. O governo alemão afirmou ainda compartilhar do objetivo de Estados Unidos e Israel de derrubar o regime de Teerã e se colocou à disposição para colaborar com uma eventual recuperação econômica do país.

Takht-Ravanchi também confirmou que forças iranianas realizaram ataques contra grupos curdos localizados no Iraque. De acordo com ele, a operação teve como objetivo proteger a soberania iraniana.

Os bombardeios ocorreram em meio a informações de que os Estados Unidos poderiam fornecer armas a grupos curdos, historicamente opositores do governo iraniano, para incentivar ações armadas ou provocar uma insurreição dentro do país.

“Se houver necessidade de proteger nossa soberania, certamente o faremos”, declarou o vice-ministro.

A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel se intensificou nas últimas horas. A Guarda Revolucionária iraniana lançou ataques contra uma base militar norte-americana no Iraque e também atingiu um petroleiro que navegava sob bandeira dos Estados Unidos.

Relatos indicam que os bombardeios contra o território iraniano têm aumentado em intensidade. Um morador de Teerã descreveu a situação à agência Reuters: “Hoje está pior do que ontem. Não temos para onde ir. É como uma zona de guerra”.

Grande parte das operações militares tem se concentrado na capital iraniana. De acordo com a agência estatal Irna, o número de mortos no país chegou a 1.230 em menos de uma semana de confrontos. No dia anterior, o total informado era de 1.045 vítimas. A maioria dos mortos é composta por civis, incluindo dezenas de crianças.

Em meio aos ataques, o governo iraniano decidiu adiar o velório do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia do conflito. Segundo informações divulgadas pela Reuters, a decisão foi tomada por temor de que a cerimônia reunisse uma grande multidão e se tornasse alvo de novos ataques.

A agência destacou que funerais de líderes políticos e religiosos xiitas considerados mártires costumam mobilizar grandes manifestações públicas.

Autoridades dos Estados Unidos avaliam que estimular instabilidade interna no Irã poderia facilitar a derrubada da teocracia que governa o país. A expectativa inicial era de que a morte de Khamenei provocasse uma revolta popular, o que não se concretizou. Em resposta, o governo iraniano teria intensificado ações contra grupos separatistas para evitar o surgimento de um conflito interno.

Também ontem, forças norte-americanas atingiram um navio de guerra iraniano próximo à costa do Sri Lanka. O ataque deixou ao menos 87 mortos e dezenas de feridos. O governo iraniano afirmou que pretende retaliar a ação.

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