Às vésperas do Oscar, The Hollywood Reporter exalta revolução do cinema brasileiro puxada por ‘O Agente Secreto’ e ‘Ainda Estou Aqui’

Às vésperas do Oscar, The Hollywood Reporter exalta revolução do cinema brasileiro puxada por ‘O Agente Secreto’ e ‘Ainda Estou Aqui’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Divulgação/Golden Globes/Ellen Von Unwerth

Publicado em 04/03/2026 às 09:31 / Leia em 3 minutos

A revista norte-americana The Hollywood Reporter (THR), um dos veículos mais influentes da indústria do entretenimento, publicou na terça-feira (3) um extenso artigo dissecando o atual fenômeno do cinema brasileiro.

A publicação ganha peso estratégico por ocorrer na reta final da temporada de premiações, momento em que o baiano Wagner Moura desponta como um dos favoritos à estatueta de Melhor Ator no Oscar por seu trabalho em “O Agente Secreto”.

A reportagem destaca que o Brasil vive um período de reconstrução de sua infraestrutura cultural, contrariando o ceticismo do próprio mercado exibidor interno. Obras como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” lideram esse movimento e provaram que há demanda para dramas históricos profundos.

Com um orçamento estimado em US$ 5 milhões, o longa estrelado por Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho já ultrapassou a marca de 2,45 milhões de ingressos vendidos no país, se mantendo no top 5 das bilheterias por 16 semanas.

Para Wagner Moura, o sucesso estrondoso de “O Agente Secreto” vai além dos números. A produção marca o retorno do baiano aos filmes nacionais após mais de uma década atuando no exterior.

Em entrevista à publicação, o ator celebrou o engajamento do público brasileiro, citando especificamente as homenagens vistas nas ruas durante o Carnaval.

“Os brasileiros se verem dessa forma cria identidade, autoestima e um senso de compreensão sobre o tipo de povo que somos”, afirmou o ator à revista. “Quando vejo brasileiros demonstrando orgulho, se vestindo no puro estilo do Carnaval, penso que é lindo. Me faz pensar: ‘Vou continuar lutando por isso'”, continuou.

O impacto desse reencontro com o público local já define os próximos passos do artista, que revelou o desejo de gravar no Brasil pelo menos uma vez ao ano. Entre os planos imediatos, além do remake do longa iraniano “Gosto de Cereja”, Moura confirmou que está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o diretor Sérgio Machado, reeditando a dobradinha de sucesso do aclamado “Cidade Baixa” (2005).

O artigo da THR pontua que a atual safra de filmes ganha urgência ao ser lançada logo após o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), período classificado pela publicação como marcado por censura e desmonte do financiamento.

Moura foi taxativo ao defender os mecanismos de incentivo: “É um direito constitucional. Na Constituição brasileira, está escrito que o governo tem que fornecer cultura ao povo”.

Apesar dos ataques de alas extremistas nas redes sociais contra o uso de recursos públicos no audiovisual, os produtores ouvidos pela revista apontam que a fatia de público que consome cinema nacional mais que triplicou em relação a 2023.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia