Ilha de R$ 10 milhões ligada a Richarlison e Flávio tem 11 suítes, praia privativa e heliponto

Ilha de R$ 10 milhões ligada a Richarlison e Flávio tem 11 suítes, praia privativa e heliponto

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 23/10/2026 às 13:56

Richarlison tornou pública uma série de documentos para defender seu direito de ocupação sobre uma propriedade de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Avaliado pelo jogador em cerca de R$ 10 milhões, o imóvel tem 11 suítes, heliponto, acesso exclusivo à praia e uma queda d’água que desemboca diretamente no mar. A disputa envolve um terreno que pertence à União e está relacionada à definição de quem pode ocupar legalmente a área.

O atacante do Tottenham afirma ter adquirido os direitos de ocupação do local em 2020, em sociedade com outros investidores, e diz ter desembolsado aproximadamente R$ 10 milhões entre a compra e as reformas. Em 21 de outubro, ele divulgou contratos, registros e números de processos judiciais para sustentar sua versão, depois de ser desafiado publicamente pelo advogado Willer Tomaz a apresentar provas da negociação.

A história do terreno, porém, começou muito antes da entrada de Richarlison no negócio. Como a área pertence à Secretaria do Patrimônio da União, a disputa não trata da propriedade da ilha em si, mas do direito de ocupar aquele trecho específico. Documentos apresentados pelo jogador apontam para uma sequência de negociações iniciada em 2011. Já Tomaz fundamenta sua posição em registros administrativos que remontam a 1975.

A empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada ao advogado, passou a constar no cadastro de direitos de ocupação da Secretaria do Patrimônio da União em 2022. Richarlison questiona a rapidez dessa transferência e compara o procedimento com o próprio pedido de regularização, aberto em setembro de 2021 e que teria permanecido sem resposta por cerca de dez meses. Segundo os documentos divulgados pelo atleta, o processo da empresa WT foi aprovado em apenas um dia, em julho de 2022.

A área também carrega uma história anterior de interesse de personalidades conhecidas. A cantora Clara Nunes teria obtido direitos sobre o mesmo espaço na década de 1970, e a disputa pela ocupação do terreno continua desde a morte dela, em 1983. Cercada pela Mata Atlântica e com acesso a águas cristalinas, a região permanece isolada do restante da Ilha Comprida e há décadas desperta interesse de investidores.

Outro ponto citado por Richarlison envolve Flávio Bolsonaro, apontado pelo jogador como amigo de Willer Tomaz. Segundo o atacante, o senador chegou a demonstrar interesse em comprar a propriedade, mas a proposta teria sido recusada. A empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A nega qualquer irregularidade e afirma que adquiriu os direitos de forma legítima. Flávio Bolsonaro, por sua vez, diz ter participado apenas como testemunha em um dos processos judiciais.

A exposição dos documentos ocorreu depois de um desafio feito por Willer Tomaz em 17 de outubro. O advogado deu a Richarlison 72 horas para apresentar um documento anterior a julho de 2022 que comprovasse seu vínculo com o imóvel, além de comprovantes dos R$ 10 milhões investidos. Tomaz afirmou que, caso a documentação fosse considerada válida, transferiria os direitos sobre a propriedade sem cobrar qualquer valor. Richarlison respondeu com um vídeo publicado no Instagram, no qual mostrou números de processos e imagens de documentos que, segundo ele, atendiam às exigências.

A disputa também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Os deputados Rogério Correia e Pedro Uczai pediram ao ministro Alexandre de Moraes a suspensão da transferência dos direitos de ocupação. Os parlamentares questionam o procedimento conduzido pela SPU, a origem dos recursos utilizados na operação, a participação das empresas envolvidas e uma possível influência política no processo. O pedido também prevê que Richarlison e outras pessoas relacionadas à negociação sejam chamados a depor.

Apesar dos documentos apresentados publicamente pelo jogador, a divulgação não representa, por si só, uma decisão judicial definitiva sobre quem tem direito à área. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve uma decisão favorável à empresa WT por considerar que o caso exigiria nova análise de provas e cláusulas contratuais. Com isso, a empresa Sport 70, ligada a Richarlison, desistiu da ação, que acabou extinta sem julgamento do mérito.

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