Análise: Flamengo cai diante do Estudiantes na Libertadores após pressão sem profundidade e mudanças tardias

Análise: Flamengo cai diante do Estudiantes na Libertadores após pressão sem profundidade e mudanças tardias

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Reprodução / X @Flamengo

Publicado em 23/10/2026 às 13:24

O Flamengo foi eliminado da Copa Libertadores de 2026 após empatar por 0 a 0 com o Estudiantes, nesta quinta-feira (22), no Maracanã, e perder por 3 a 2 nos pênaltis. Depois de outro empate sem gols na Argentina, o Rubro-Negro não conseguiu aproveitar o mando de campo nem a superioridade numérica durante quase todo o segundo tempo. A queda na semifinal expôs dificuldades de criação ofensiva e encerrou a tentativa do clube de conquistar o segundo título continental consecutivo.

Flamengo teve a bola, mas encontrou poucos caminhos para atacar

O principal problema do Flamengo esteve na dificuldade de transformar posse de bola em oportunidades. A equipe de Leonardo Jardim encontrou um Estudiantes organizado defensivamente, que reduziu os espaços pelo centro e conseguiu limitar as aproximações entre os jogadores mais criativos do time brasileiro.

Com Lucas Paquetá na armação, Carrascal e Samuel Lino pelos lados e Pedro como referência, o Flamengo tentou construir jogadas com passes curtos. Entretanto, a circulação frequentemente acontecia longe da área, permitindo que os argentinos reorganizassem a marcação antes de qualquer tentativa de infiltração.

Pedro protagonizou algumas das melhores ações individuais do primeiro tempo, utilizando a força física para receber de costas e superar marcadores. Em uma delas, finalizou cruzado, mas não conseguiu abrir o placar. Foram iniciativas isoladas em um ataque que apresentou pouca movimentação coordenada para desorganizar a defesa adversária.

O problema já havia aparecido no confronto de ida, quando o Flamengo sequer acertou uma finalização no gol. Ao longo dos 180 minutos, a equipe não encontrou soluções consistentes para superar a marcação argentina.

Expulsão aumentou o controle, mas não a capacidade de finalizar

A expulsão de Baltasar Rodríguez, aos cinco minutos do segundo tempo, ofereceu ao Flamengo uma condição favorável. Com um jogador a mais, o time passou a ocupar o campo ofensivo de maneira quase permanente, enquanto o Estudiantes concentrou seus jogadores perto da própria área.

O domínio territorial, porém, não representou maior eficiência. O Flamengo movimentou a bola de um lado para o outro, mas encontrou dificuldades para acelerar as jogadas e atacar os espaços entre os defensores.

A insistência em cruzamentos facilitou o trabalho da defesa argentina. Sem infiltrações frequentes ou movimentos capazes de deslocar a última linha, o Flamengo permitiu que o Estudiantes mantivesse uma estrutura compacta, protegendo a região central e afastando as bolas levantadas na área.

A equipe comandada por Alexander Medina também conseguiu administrar o ritmo quando recuperava a posse, evitando que o Flamengo estabelecesse sequências contínuas de oportunidades. Mesmo em inferioridade numérica, os argentinos conseguiram manter o jogo dentro de um cenário defensivamente favorável.

Mudanças tardias limitaram a reação e pênaltis confirmaram a eliminação

As decisões de Leonardo Jardim também tiveram influência no desempenho. Arrascaeta, que retornava de uma cirurgia no punho, entrou aos 18 minutos do segundo tempo no lugar de Carrascal. A intenção era acrescentar qualidade nos passes entre as linhas defensivas, mas o uruguaio encontrou um adversário cada vez mais fechado.

Somente aos 35 minutos o treinador ampliou as mudanças ofensivas, colocando Bruno Henrique e Gonzalo Plata, além de Ayrton Lucas. A equipe passou a encontrar alternativas mais perigosas, principalmente quando Paquetá recuou para participar da construção.

Foi justamente de um lançamento de Paquetá que surgiu uma das melhores oportunidades da etapa final, em cabeçada de Plata defendida por Muslera. Pouco depois, o próprio meio-campista apareceu na área e cabeceou perto da trave.

As oportunidades mostraram que havia possibilidades de explorar a defesa argentina, mas o Flamengo demorou a produzir esse tipo de jogada. O crescimento nos minutos finais não compensou a escassa criação ao longo da semifinal.

Nos pênaltis, Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique. Arrascaeta e Léo Pereira converteram, mas o Estudiantes venceu por 3 a 2. Embora os erros tenham determinado o resultado da disputa, a eliminação foi construída principalmente pela incapacidade ofensiva do Flamengo durante os dois confrontos.

Fora da Libertadores, o Flamengo concentra suas atenções no Campeonato Brasileiro, competição que lidera com 67 pontos, um à frente do Palmeiras. O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, segunda-feira (26), às 20h, no Maracanã. Já o Estudiantes, classificado para enfrentar o Palmeiras na final continental em 28 de novembro, visita o Unión de Santa Fe na segunda-feira (26), às 19h, pelo Torneio Clausura argentino, no qual tenta se aproximar da zona de classificação para o mata-mata.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia