Aos 82 anos, cientista belga que descobriu menor partícula do universo recebe Nobel da Física

Aos 82 anos, cientista belga que descobriu menor partícula do universo recebe Nobel da Física

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Christine Olsson / TT

Publicado em 06/10/2026 às 09:52

O físico belga Francis Halzen, de 82 anos, foi anunciado nesta terça-feira (6) como vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2026. O pesquisador foi reconhecido por suas contribuições decisivas para o IceCube, observatório instalado no gelo da Antártida que permitiu avanços importantes no estudo dos neutrinos de alta energia vindos do espaço.

Segundo o Comitê Nobel, Halzen foi premiado pelas contribuições que ajudaram a possibilitar a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. As partículas são conhecidas como “partículas-fantasma” porque conseguem atravessar a matéria e interagem com ela apenas em situações extremamente raras.

O que são os neutrinos?

Os neutrinos são partículas subatômicas difíceis de detectar. Eles atravessam grandes quantidades de matéria praticamente sem interagir com ela, o que faz com que carreguem informações de regiões muito distantes do Universo.

Foi justamente essa característica que levou Halzen, ainda na década de 1980, a perceber que o gelo da Antártida poderia ser utilizado como um enorme detector de neutrinos.

A ideia deu origem ao IceCube, um gigantesco observatório localizado no coração da Antártida. O equipamento utiliza mais de 5 mil sensores distribuídos em uma área de aproximadamente um quilômetro cúbico de gelo para identificar os raros sinais produzidos quando neutrinos interagem com a matéria.

“Este Prêmio Nobel diz respeito a um gigantesco cubo de gelo situado no Polo Sul do nosso planeta”, explicou Eva Olsson, integrante do Comitê Nobel, durante a apresentação do prêmio.

Segundo ela, os neutrinos carregam informações sobre o cosmos e podem ajudar os cientistas a compreender fenômenos que acontecem em regiões muito distantes da Terra.

“Eles abrem a porta para galáxias distantes e nos contam sobre os processos de explosão das estrelas”, afirmou.

Nova era para a astronomia

As descobertas feitas com o IceCube abriram uma nova possibilidade para estudar o Universo. Diferentemente da astronomia tradicional, que observa principalmente a luz emitida pelos objetos celestes, a chamada astronomia de neutrinos utiliza essas partículas para investigar eventos extremos que acontecem no espaço.

Os neutrinos de alta energia detectados pelo observatório ajudam os pesquisadores a investigar como essas partículas são produzidas e quais fenômenos cósmicos são capazes de liberá-las.

O presidente do Comitê Nobel de Física destacou a importância do trabalho desenvolvido por Halzen à frente de uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros.

“A sua tenacidade e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia”, afirmou.

O trabalho também rendeu reconhecimento internacional ao físico antes do Nobel. Em 2014, a revista norte-americana Smithsonian chamou Halzen de “Homem do Neutrino” ao homenageá-lo por sua contribuição para o desenvolvimento do IceCube e para o início de uma nova era na astronomia.

A publicação chegou a produzir uma história em quadrinhos sobre a trajetória do cientista e sua busca pelo cosmos a partir da Antártida.

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