Aos 34 anos, Thabatta Pimenta (PV) fez história nas Eleições 2026 ao se tornar a primeira deputada federal trans do Nordeste. A potiguar foi eleita pelo Rio Grande do Norte com mais de 92 mil votos e chega à Câmara dos Deputados com a missão de ampliar a representação da população LGBTQIAP+ e defender outras pautas que fazem parte de sua trajetória.
No Congresso Nacional, Thabatta se junta a nomes como Erika Hilton (PSOL-SP), reeleita com 1.596.472 votos e responsável por estabelecer o recorde de mulher mais votada da história da Câmara, e Duda Salabert (PSOL-MG), também reeleita por Minas Gerais.
“Para mim é uma felicidade ser agora mais uma representante enquanto bancada trans, levando a vivência de ser uma pessoa do interior do estado, mas, sobretudo, ter essa representação agora do Nordeste enquanto a primeira deputada trans da minha região”, afirmou Thabatta ao g1.
De cidade pequena à Câmara dos Deputados
Nascida em Carnaúba dos Dantas, no interior do Rio Grande do Norte, Thabatta começou sua trajetória política em 2016, quando se candidatou a vereadora, mas não conseguiu se eleger.
Quatro anos depois, fez história ao conquistar uma vaga na Câmara Municipal de Carnaúba dos Dantas e se tornar a primeira vereadora trans do Rio Grande do Norte. Em 2024, ampliou sua atuação política ao ser eleita vereadora de Natal com 7.085 votos.
Antes disso, em 2022, Thabatta havia tentado uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita.
Agora, com a vitória em 2026, ela pretende levar para Brasília pautas que vão além da defesa da população LGBTQIAP+. Entre as prioridades estão os direitos das pessoas com deficiência, as demandas das pequenas cidades e questões relacionadas à classe trabalhadora.
Thabatta fala sobre irmão com deficiência
A defesa das pessoas com deficiência tem uma relação direta com a história pessoal da nova deputada federal. Thabatta é responsável pelo irmão, que tem deficiência, desde a morte da mãe dos dois, vítima de complicações da Covid-19 durante a pandemia.
“Eu vivencio essa luta diariamente dentro da minha casa. É hora do Congresso pautar essa defesa da melhor forma possível, da forma que impactará todas essas pessoas. Então, poder levar a minha vivência enquanto uma mãe atípica para o Congresso será muito importante”, afirmou.
A relação com o irmão é frequentemente compartilhada por Thabatta nas redes sociais e também ajuda a explicar uma das principais bandeiras de sua atuação política.
“O que me colocou na política foi a luta da pessoa com deficiência. E desconstruir esse olhar da sociedade também para nós enquanto corpos trans e travestis”, declarou.
Crescimento da representação trans na política
A eleição de Thabatta acontece em um cenário de aumento da presença de pessoas trans e travestis nas disputas eleitorais brasileiras. Em 2026, 54 candidaturas foram registradas com nome social, número 45% maior do que o registrado nas eleições gerais de 2022.
O crescimento também aparece quando comparado às eleições anteriores. Em 2018, foram 29 candidaturas com nome social. Já nas eleições municipais, o número passou de 171 pedidos em 2020 para 348 em 2024.
Das 54 candidaturas registradas com nome social em 2026, 53 disputaram cargos no Legislativo. A única candidatura ao Executivo foi a de Seu Alex (PSTU), que concorreu a vice-governador do Pará.
Além de Thabatta, Erika Hilton e Duda Salabert também se destacaram nas urnas. Erika foi reeleita por São Paulo com votação histórica, enquanto Duda recebeu mais de 229 mil votos em Minas Gerais e ficou entre os candidatos mais votados do estado.
No Rio Grande do Norte, Thabatta somou 92.735 votos e também ficou entre os dez candidatos mais votados para a Câmara. Com a eleição, tornou-se um dos principais nomes da nova representação trans no Congresso Nacional.