Após câncer de mama, cientista baiana transforma experiência em pesquisa para ajudar outras mulheres

Após câncer de mama, cientista baiana transforma experiência em pesquisa para ajudar outras mulheres

Redação Alô Alô Bahia

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com informações do CORREIO

Divulgação

Publicado em 02/10/2026 às 17:46

Após viver o câncer de mama, a cientista baiana Patrícia Lordêlo transformou a própria experiência em estímulo para aprofundar pesquisas voltadas à saúde pélvica e à qualidade de vida de mulheres que passam pelo tratamento da doença.

Fisioterapeuta pélvica, professora e pesquisadora especializada em Saúde da Mulher, Patrícia chama atenção para questões que ainda são pouco discutidas durante e depois do tratamento, como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais, redução da libido, sintomas urinários e outras disfunções relacionadas ao assoalho pélvico.

“Quando vivi o câncer de mama, passei a compreender também, na própria pele, questões que já faziam parte da minha trajetória profissional. Percebi o quanto a saúde pélvica e a sexualidade ainda são pouco discutidas durante e depois do tratamento”, conta.

Segundo a pesquisadora, tratamentos como quimioterapia e hormonioterapia podem provocar alterações na mucosa vaginal e sintomas semelhantes aos da menopausa. Em alguns casos, o uso prolongado de bloqueadores hormonais pode estar associado à atrofia vaginal e ao estreitamento do canal vaginal, com impactos inclusive na realização de exames ginecológicos e na vida sexual.

Desde 2019, Patrícia e sua equipe estudam alternativas não hormonais para essas disfunções. Entre as linhas de pesquisa está o uso do LED azul intravaginal, dispositivo idealizado e desenvolvido pelo grupo.

De acordo com a pesquisadora, estudos realizados com mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama apontaram melhora da lubrificação e do conforto vaginal. A próxima etapa deverá investigar o uso da tecnologia durante o próprio tratamento contra o câncer, inclusive com a possibilidade de aplicação domiciliar.

O trabalho desenvolvido pelo grupo recebeu reconhecimento internacional em 2022, durante o ICS Annual Meeting, em Viena. A equipe foi premiada por um estudo sobre o uso de LED no tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa em sobreviventes do câncer de mama.

Uma revisão científica publicada em 2026, que reuniu 36 estudos e 9.749 sobreviventes de câncer de mama, estimou em 70% a prevalência de disfunção sexual entre as participantes. O dado reforça a dimensão de uma questão que pode afetar a intimidade, a autoestima e a qualidade de vida após o tratamento.

“A fisioterapia pélvica pode integrar o cuidado multidisciplinar e contribuir para a reabilitação dessas pacientes, especialmente diante de sintomas que impactam diretamente a intimidade, a autoestima e a qualidade de vida”, afirma Patrícia.

Patrícia Lordêlo

Experiência vira livro

A trajetória pessoal e profissional da cientista também será contada em “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”.

Com prefácio de Regina Casé, o livro será lançado no dia 18 de outubro, às 10h, no Gabinete Português de Leitura de Salvador, como parte das ações do Outubro Rosa. A obra estará disponível nas versões impressa e digital.

A renda obtida com a publicação será destinada integralmente a novas pesquisas na área.

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