Lazzo Matumbi reúne BaianaSystem, Rachel Reis e BNegão em novo álbum sobre a Bahia

Lazzo Matumbi reúne BaianaSystem, Rachel Reis e BNegão em novo álbum sobre a Bahia

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Matheus Leite/@MatheusL8

Publicado em 02/10/2026 às 14:49

Lazzo Matumbi lançou nesta sexta-feira (2) o single “Matumbi”, primeiro aperitivo de seu novo álbum e audiovisual, “Matumbi Canta a Bahia”. A faixa chega às plataformas digitais como uma celebração da ancestralidade, da resistência e da influência africana na formação cultural e social da Bahia.

A canção nasceu da parceria entre Lazzo e Manno Góes, que também assina a produção musical e a direção artística do projeto. Para Lazzo, o título e a mensagem da música estão diretamente ligados à força e à trajetória do povo baiano, falando da presença da África na Bahia e da formação do povo baiano. Segundo ele, a obra também parte da compreensão de que o Brasil foi construído a partir da contribuição de povos que, durante séculos, tiveram direitos negados.

O projeto “Matumbi Canta a Bahia” foi gravado em julho, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, e reúne um repertório que percorre diferentes momentos e vertentes da música produzida no estado. Estão presentes obras de nomes como Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Novos Baianos, além de canções de artistas contemporâneos.

A escolha do repertório, conta Lazzo, foi um dos processos mais delicados da produção. “Pra falar a verdade, não foi fácil chegar nesse repertório. Ele foi escolhido por várias mãos, com muito cuidado, pelo fato de que todos esses artistas, assim como eu, cantamos a Bahia e o amor que nutrimos por ela, a partir das nossas vivências, mesmo que os caminhos ou atalhos sejam diferentes”, explica.

Gravação aconteceu na Concha Acústica | Foto: @MatheusL8

A gravação também promoveu encontros entre diferentes gerações da música baiana. O projeto conta com participações de BaianaSystem, BNegão, Rachel Reis, Ravi Lobo e do Coro MultiVox, sob regência do maestro Ângelo Rafael Palma da Fonseca. A direção musical do show ficou a cargo do maestro Ubiratan Marques, à frente da Casa da Ponte e da Orquestra Afrosinfônica da Bahia.

Para Lazzo, dividir o palco com esses artistas foi uma experiência marcada pela troca. “Foi super prazeroso e gratificante. Esses artistas me têm como reverência e super admiram o meu trabalho, por isso o processo fica muito mais fácil, onde a troca e o aprendizado são constantes para todos nós”, diz.

A proposta do audiovisual é construir uma narrativa sobre a Bahia a partir de sua diversidade musical e cultural, conectando referências ancestrais a diferentes gerações de artistas. Nesse percurso, a obra de Lazzo aparece como um elo entre tradições, gêneros e experiências que ajudaram a formar a identidade musical do estado.

Com mais de quatro décadas de carreira, Lazzo construiu uma trajetória dedicada à música negra brasileira e à valorização da ancestralidade. Seu trabalho dialoga com ritmos como samba-reggae, ijexá e reggae e inclui canções como “Alegria da Cidade”, eternizada na voz de Margareth Menezes, além de “Me Abraça e Me Beija” e “14 de Maio”.

BaianaSystem esteve entre as participações especiais | Foto: MatheusL8

Aos 69 anos, o cantor também destaca a importância de preservar a identidade cultural diante das diferentes influências que atravessam a música brasileira. “Sempre tive muito cuidado e muito respeito pela minha arte, e esse respeito obviamente se estende para ouvir. Acho que esse cuidado tem que haver sempre, para não perdermos a originalidade, sendo fiel a nossa cultura e história, mesmo que soframos outras influências”, afirma.

Para ele, a própria diversidade cultural da Bahia oferece matéria-prima suficiente para que novas gerações continuem criando a partir de suas raízes. “A nossa riqueza e diversidade cultural são fartas e invejáveis, então aproveitemos com fé, qualidade, e consciência para continuarmos vencendo os desafios”, completa.

O álbum e o audiovisual “Matumbi Canta a Bahia” têm lançamento previsto para novembro. Para Lazzo, o projeto representa também uma continuidade de sua própria missão artística. “Me senti agradecido pela possibilidade de poder estar cumprindo os ensinamentos ancestrais, através da minha voz, onde a poesia e o amor fortalecem a minha gente na construção de um mundo melhor e mais igualitário respeitando as diferenças”, resume.

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