Aos 68 anos e longe da TV, atriz vive em refúgio na mata rodeada por animais

Aos 68 anos e longe da TV, atriz vive em refúgio na mata rodeada por animais

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 02/10/2026 às 15:58

A rotina de Lúcia Veríssimo, aos 68 anos, está distante dos estúdios de televisão que marcaram sua trajetória na dramaturgia brasileira. Na Fazenda Independência, em Chiador, na Zona da Mata de Minas Gerais, a atriz divide o tempo entre projetos pontuais no audiovisual e os cuidados com uma propriedade dedicada à preservação ambiental, à agricultura orgânica e ao bem-estar animal. O que começou como um refúgio durante a pandemia de Covid-19 acabou se tornando sua residência e um projeto de vida.

A área rural reúne uma série de práticas voltadas à conservação da natureza. Quase metade da fazenda permanece coberta por vegetação nativa da Mata Atlântica, enquanto nascentes protegidas e açudes ajudam a conservar a umidade do solo ao longo do ano. A preocupação ambiental também orienta o manejo dos animais, entre eles bovinos e caprinos leiteiros, cavalos, abelhas mantidas em apiários planejados e diferentes espécies de aves, como galinhas caipiras, patos, pavões, cisnes e galinhas-d’angola. Por determinação da atriz, nenhum deles é criado para abate ou engorda. Os animais circulam livremente, sem gaiolas ou correntes, e permanecem na propriedade até o fim de seus ciclos de vida.

O cuidado com o rebanho inclui ordenha manual das vacas, realizada somente depois que os bezerros mamam. A alimentação também segue critérios específicos: veterinários formulam a ração, fabricada na própria fazenda com grãos orgânicos. Cães e gatos recebem vacinação e vermifugação periódicas. Na produção agrícola, milho, feijão, abóbora, hortaliças e frutas são cultivados sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Os alimentos abastecem os moradores e colaboradores da propriedade, que adota um sistema de economia circular para aproveitar os resíduos gerados nas atividades diárias.

Restos de alimentos, materiais vegetais, folhas secas e esterco são encaminhados a estruturas próprias para compostagem. Depois de filtrado, o fertilizante líquido é reaproveitado na irrigação e na adubação das hortas e lavouras. O plantio nas áreas próximas às nascentes também integra as medidas de proteção dos recursos hídricos, contribuindo para preservar os lençóis freáticos e evitar o esgotamento das fontes de água.

A conservação da propriedade, no entanto, enfrenta dificuldades. Em 2024, um incêndio atribuído a caçadores ilegais atingiu a fazenda e destruiu cerca de 30 hectares de vegetação. Como Chiador não dispõe de Corpo de Bombeiros próprio, equipes de Juiz de Fora, situada a aproximadamente 80 quilômetros, precisaram ser acionadas para combater as chamas. O episódio expôs os desafios de proteger uma área rural e a necessidade de vigilância permanente. Desde que se estabeleceu na Fazenda Independência durante a pandemia, Lúcia Veríssimo passou a aplicar suas convicções ambientais e pessoais também à administração da propriedade.

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