Cinco estudantes da Escola Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara, na Bahia, estão entre os 30 semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow, programa de Cidadania Corporativa da Samsung, coordenado pelo Cenpec no Brasil. A iniciativa estimula alunos e professores da rede pública a desenvolverem soluções para problemas reais de suas comunidades, utilizando conhecimentos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, a chamada abordagem STEM.
Orientados pela professora Ana Luiza da Silva Rezende Guanais, os estudantes do ensino médio desenvolveram o projeto “FOSSA VIVA TECH: Biorreator com Monitoramento STEAM no Sertão”, que propõe uma alternativa acessível para o tratamento e aproveitamento de dejetos orgânicos em comunidades rurais do semiárido baiano. A ideia é transformar esse material em biogás, que pode ser usado como fonte de energia em casas e pequenas fábricas, além de gerar biofertilizante para a agricultura.
O sistema prevê ainda o monitoramento do processo com placas Arduino e biossensores, acompanhando parâmetros como pH, pressão do gás, temperatura e fermentação. Os dados devem ajudar a avaliar o funcionamento do biorreator e a qualidade dos produtos obtidos. O protótipo vem sendo desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde a equipe terá contato com professores e pesquisadores para aprimorar a solução.
“Estamos muito ansiosos para conhecer a universidade e expandir nossos conhecimentos. É uma experiência nova, na qual poderemos trocar experiências e conectar nossas ideias com especialistas. Queremos aproveitar essa oportunidade para aprender e continuar avançando no nosso trabalho”, conta Nicoly da Silva Estrela, estudante integrante da equipe.
A participação no Solve for Tomorrow inclui justamente esse acompanhamento por especialistas. O programa utiliza aprendizagem baseada em projetos e oferece mentorias e capacitações para que os estudantes avancem da identificação de um problema até o desenvolvimento de uma solução. Nesta edição, foram 7,7% mais projetos inscritos que em 2025, além de um aumento de 11% na participação feminina e de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais.
“Quando a escola pública se conecta aos desafios de seu território, ela amplia as possibilidades de aprendizagem e mostra aos estudantes que o conhecimento produzido em sala de aula pode dialogar com problemas concretos da sociedade. Mais do que desenvolver um protótipo, esses estudantes estão construindo um percurso de investigação que fortalece sua autonomia, seu protagonismo e sua capacidade de participar da transformação de suas comunidades”, afirma Beatriz Cortese, diretora executiva do Cenpec.
Atualmente, a equipe está na fase de planejamento e desenvolvimento do protótipo. Os estudantes já definiram as características iniciais do equipamento e, após uma mentoria sobre prototipagem, trabalham na representação gráfica do biorreator. Na sequência, serão realizadas a montagem do modelo e a integração dos sensores e placas Arduino responsáveis pelo acompanhamento dos processos.
As equipes semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026 estão em período de mentoria até 2 de outubro. No dia 16 de outubro serão anunciados os dez projetos finalistas. A etapa de mentoria dos finalistas acontece de 19 de outubro a 27 de novembro, enquanto a votação pelo Júri Popular será aberta em 23 de novembro. Os vencedores por categoria serão anunciados em 8 de dezembro.