Um levantamento realizado pela Fundacentro, em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), chama atenção para a saúde mental dos profissionais de imprensa no Brasil. De acordo com o relatório, 50,2% dos jornalistas entrevistados relataram depressão, com presença significativa de quadros considerados severos e extremamente severos.
A pesquisa ouviu 257 profissionais e identificou ainda outros problemas relacionados à saúde mental e às condições de trabalho. Entre os participantes, 47,9% relataram insônia, 47,8% estresse e 35,8% ansiedade.
O ambiente profissional também aparece entre os pontos de alerta. Segundo o levantamento, 37% dos entrevistados relataram assédio moral, enquanto 30,4% afirmaram ter sofrido cyberbullying.
A Abraji, ao divulgar os dados, relacionou o cenário à rotina de exposição e agressões enfrentada por profissionais da imprensa. Entre 16 e 29 de agosto, a entidade registrou 2.630 ataques diretos contra 91 veículos de comunicação e 46 jornalistas. Entre 30 de agosto e 12 de setembro, o número de ataques teria aumentado 67,3%, chegando a aproximadamente 4,4 mil.
O estudo busca traçar um panorama das condições de trabalho e da saúde mental dos jornalistas brasileiros, em um contexto marcado por jornadas intensas, exposição pública e episódios de violência e assédio contra profissionais da comunicação.