Temperatura dos oceanos bate recorde histórico em agosto

Temperatura dos oceanos bate recorde histórico em agosto

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

NOAA

Publicado em 24/08/2026 às 12:13

A temperatura média diária global da superfície dos oceanos atingiu um novo recorde histórico em agosto. Dados do Serviço Copérnico para as Alterações Climáticas (C3S) mostram que, no sábado (22), as águas oceânicas chegaram a 21,1°C, superando o recorde anterior de 21,09°C, registrado em março de 2024.

Os dados foram obtidos a partir da base ERA5, cuja série histórica remonta a 1979. O que mais chama atenção, segundo o C3S, é o período do ano em que o novo máximo foi registrado. “O momento do recorde é particularmente notável. As temperaturas globais do oceano são tipicamente mais elevadas em Março e Abril, após o Verão austral; no entanto, este recorde foi atingido em Agosto”, informou o órgão.

A marca também supera o recorde anterior para o mês de agosto, de 20,98°C, registrado em 2023. Para o C3S, o dado precisa ser analisado dentro de um cenário climático mais amplo. “Embora os recordes diários devam ser sempre interpretados dentro de um contexto climático mais amplo, este marco é consistente com o contínuo aquecimento a longo prazo do oceano global e com a emergência de um evento extremo de El Niño no Pacífico tropical”.

O cenário ocorre em meio ao desenvolvimento de um forte El Niño, fenômeno natural associado ao aquecimento cíclico das águas do Pacífico tropical. A Organização Meteorológica Mundial prevê um fortalecimento do fenômeno nos próximos meses, com possibilidade de alcançar níveis inéditos em comparação com as últimas décadas.

Para Samantha Burgess, diretora estratégica para o Clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), o recorde evidencia a pressão crescente sobre os oceanos. Segundo ela, os impactos desse processo já podem ser observados. “As consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marinhas à escala global mais do que triplicou desde o início da década de 1990, o que coloca uma pressão crescente sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que deles dependem”, afirmou.

O aquecimento dos oceanos provoca uma série de efeitos em cadeia, como a expansão térmica da água e a consequente elevação do nível do mar, ameaçando regiões costeiras e nações insulares. Também compromete ecossistemas como os recifes de coral e pode afetar atividades econômicas dependentes do mar, a exemplo da pesca e da aquicultura.

Na atmosfera, o excesso de calor e umidade transferido pelos oceanos pode intensificar eventos climáticos extremos. “Um oceano mais quente transfere mais calor e umidade para a atmosfera, com o potencial de intensificar a precipitação e alguns sistemas de tempestades”, alerta o comunicado.

Outro ponto de preocupação é a redução da capacidade dos oceanos de absorver dióxido de carbono. “Um oceano mais quente torna-se menos eficiente na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, o que poderá enfraquecer um dos mais importantes amortecedores naturais do planeta contra as alterações climáticas”, conclui o documento do C3S.

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