Imóveis compactos dominam vendas em Salvador e atraem compradores mais jovens

Imóveis compactos dominam vendas em Salvador e atraem compradores mais jovens

Redação Alô Alô Bahia

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Divulgação / ADEMI-BA

Publicado em 24/08/2026 às 13:08

O mercado de imóveis compactos e sem vaga de garagem vem ganhando espaço em Salvador, impulsionado pela busca por unidades mais acessíveis e por mudanças no perfil dos compradores, especialmente entre os mais jovens. Apartamentos de até 45 m², com plantas funcionais e próximos a serviços e transporte público, estão entre as opções procuradas por quem busca o primeiro imóvel.

O movimento acompanha o aquecimento do mercado imobiliário nordestino, que registrou alta de 52% na intenção de compra em 2026. Em Salvador, dados da Brain Inteligência Estratégica, divulgados pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), apontam que 63% dos imóveis vendidos na capital baiana em maio eram unidades compactas. Naquele período, havia cerca de 3.412 unidades disponíveis nessa categoria, o menor estoque dos últimos anos.

De acordo com a corretora Gerle Silva, a procura está concentrada em imóveis menores, mas com melhor aproveitamento dos espaços. “São imóveis compactos, plantas inteligentes, com integração de ambientes e eficientes”, afirma.

Bairros como Caminho das Árvores, Rio Vermelho, Pituaçu, Piatã e Imbuí estão entre os locais que despertam interesse dos compradores. Além da localização, a redução de custos tem peso na decisão, especialmente diante do impacto de outras despesas no orçamento familiar.

Imóveis sem garagem podem custar até R$ 60 mil menos

Uma das estratégias para reduzir o preço final é a oferta de apartamentos sem vaga de garagem. Segundo Leandro Pinho, gestor comercial da MRV na Bahia, retirar a vaga pode representar uma economia de até R$ 60 mil.

“Para uma parcela importante do público econômico, a vaga representa um custo adicional no apartamento. Quando conseguimos oferecer uma unidade até R$ 60 mil mais barata, ampliamos as possibilidades de acesso ao crédito imobiliário e à casa própria”, explica.

A auxiliar de qualidade Mariane Lago, de 26 anos, está entre os compradores que optaram por um imóvel compacto. Ela adquiriu na planta um apartamento de 43 m², levando em consideração fatores como localização, segurança e proximidade com o transporte público.

“A gente começou a procurar através de corretoras e sites. Por ser na planta saiu mais em conta, e queríamos um lugar com portaria 24 horas e bem localizado, perto de um ponto de ônibus, que fosse caminho para o trabalho”, conta.

Embora não tenha carro próprio nem habilitação, Mariane terá uma vaga no condomínio, mas afirma que esse não foi um fator determinante para a compra. A aquisição foi viabilizada pelo enquadramento da renda do casal no Minha Casa, Minha Vida, que também possibilitou desconto no financiamento.

Geração Z prioriza localização

A procura por imóveis compactos e sem garagem também está relacionada às mudanças de comportamento entre os consumidores mais jovens. Integrantes da Geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, começam a chegar ao mercado de compra do primeiro imóvel e tendem a atribuir maior importância à localização e à mobilidade.

Com a popularização dos aplicativos de transporte, um apartamento menor, mas próximo a estações de metrô, pontos de ônibus, comércio, serviços e locais de trabalho, pode se tornar mais atrativo do que uma unidade maior e com garagem em uma região menos conectada.

Uma pesquisa da Localiza&CO, realizada em 2025, apontou diferenças no percentual de pessoas habilitadas entre as gerações. Enquanto 52% da Geração X disseram possuir habilitação, o percentual caiu para 42% entre os millennials e 38% na Geração Z.

Para o corretor Ederson Galeno, membro do CRECI-BA, a localização ganhou importância na decisão de compra desse público.

“O fator localização, para esse novo público, é uma exigência comercial muito forte. Então, ele prefere estar num bairro mais urbanizado, que já é consolidado, mas prefere estar residindo num espaço menor para ter acesso a essas praticidades”, explica.

Apesar das mudanças, Galeno avalia que a casa própria continua sendo um objetivo relevante, tanto pela função de moradia quanto pela construção de patrimônio.

A combinação entre a predominância dos compactos nas vendas e a redução do estoque disponível também pode pressionar os preços. Segundo o levantamento da Brain divulgado pela ADEMI-BA, a perspectiva é de valorização desse tipo de imóvel nos próximos meses.

 

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