Entre os dias 8 e 16 de setembro, Salvador e Cachoeira recebem a terceira edição do Cine SESI, festival gratuito dedicado ao cinema e ao audiovisual baiano. Com o tema “Cinema, Memória e Legado”, a programação reúne mais de 18 filmes, sessões especiais, oficinas, debates, painéis, atividades lúdico-pedagógicas e uma experiência de live cinema, além de homenagear o Bando de Teatro Olodum por sua trajetória e contribuição para as artes e o audiovisual brasileiro.
A programação formativa começou antes mesmo da abertura oficial. A Oficina de Filme por Celular, ministrada por Rafael Ramos para iniciantes, teve sua primeira etapa no dia 22 de agosto, no SESI Casa Branca, e terá continuidade no dia 29, das 8h às 12h30. A atividade propõe uma imersão prática na realização audiovisual com celular e no desenvolvimento de propostas de filmes autorais. As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas pelo site do Cine SESI.
Com curadoria de Dayse Porto (foto), Rubian Melo e Heraldo de Deus, a edição propõe uma reflexão sobre o cinema como instrumento de preservação, mas também como linguagem capaz de registrar o presente e construir as memórias que serão acessadas pelas próximas gerações.
A proposta aproxima obras de diferentes momentos do cinema baiano e brasileiro de produções contemporâneas, colocando em diálogo trajetórias consolidadas e novos realizadores. A abertura, os painéis e o encerramento contarão com recursos de acessibilidade em Libras. O festival também terá uma programação online, com filmes selecionados disponibilizados no canal do Cine SESI no YouTube.
Mais do que exibir filmes, a iniciativa busca ampliar a formação de plateia e a circulação do audiovisual baiano, levando produções que muitas vezes ficam restritas a festivais e circuitos específicos para novos públicos.
“O Cine SESI amplia o acesso ao cinema baiano ao combinar exibição, formação, debate e circulação. Nosso objetivo é fazer com que os filmes encontrem novos públicos e que os territórios também sejam espaços de criação, troca e reconhecimento”, afirma Joana Fialho, gerente do SESI Cultura Bahia.
O homenageado da edição é o Bando de Teatro Olodum, criado em Salvador em 1990 e reconhecido como uma das principais referências do teatro negro brasileiro. Ao longo de mais de três décadas, a companhia contribuiu para a formação e projeção de artistas que também construíram trajetórias no cinema, na televisão e em diferentes áreas do audiovisual.
A homenagem começa na abertura, no dia 8 de setembro, com a presença de representantes da companhia. No dia seguinte, integrantes do grupo participam do Painel I, dedicado à trajetória e ao legado do Bando nas artes e no cinema. No dia 10, serão exibidos “Ó Paí, Ó”, baseado na peça do grupo; “Bando, um Filme”, documentário de Lázaro Ramos e Thiago Gomes sobre a história da companhia; e “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff.
As sessões de filmes começam no dia 8 e seguem até o dia 16, no SESI Casa Branca. Entre os destaques está a “Baianinha”, voltada ao público infantil e acompanhada de atividades lúdico-pedagógicas. A programação inclui “Maic não Quer Cruzar”, de Henrique Filho, e “Sopro”, de Fernanda Beling, no dia 9; “A Cor da Patroa”, de Milena Anjos, e “Bárbara”, de Vilma Carla Martins, no dia 10; além de “Portão Mágico”, de Leonardo Silva, e “Parquinho”, de Vânia Lima, no dia 11.
As sessões “Memória do Agora” apresentam produções contemporâneas como “Quem é Essa Mulher”, de Mariana Jaspe, no dia 9; “Sonho de Arrocha”, de Marcos Alexandre, no dia 11; e “Bregueragem”, de Daniel Arcades, “Dias de Tempestade”, de Vitor Rocha, e “Mundinho”, de Lucio Lima, no dia 16. Já a sessão “Memória e Legado” reúne obras de nomes experientes do cinema, como “Longe do Paraíso”, de Orlando Senna, e “Três Obás de Xangô”, de Sérgio Machado.
Uma das principais novidades deste ano é a chegada do Cine SESI a Cachoeira, no Recôncavo Baiano. No dia 15 de setembro, a partir das 18h30, o Cine Theatro Cachoeirano recebe o painel “Cinema, Memória e Legado”, com convidados de Cachoeira e Salvador. Às 19h20, será exibido “Três Obás de Xangô”, que chega pela primeira vez à cidade. O documentário aborda a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé e a influência de suas obras na construção da identidade cultural da Bahia.
A programação em Cachoeira termina às 20h35, em praça pública, com uma experiência de live cinema comandada pela VJ Flora em parceria com o DJ Marley Bass, artista natural da cidade.
De volta a Salvador, o encerramento acontece no dia 16 de setembro, com sessões no SESI Casa Branca, incluindo a exibição de “Malês”, às 16h30, e o painel “Por que e como investir no cinema?”, às 19h. O encontro reunirá empresários e cineastas baianos para discutir possibilidades de parceria e investimento no setor audiovisual. Na sequência, a cerimônia de encerramento será realizada no SESI Rio Vermelho. A programação completa pode ser conferida aqui.