Avião da Voepass entrou em stall meses antes do acidente em Vinhedo, diz Cenipa

Avião da Voepass entrou em stall meses antes do acidente em Vinhedo, diz Cenipa

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Divulgação

Publicado em 23/07/2026 às 17:14 / Leia em 2 minutos

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), aponta que outra aeronave da companhia entrou em condição de stall, situação em que há perda de sustentação, cerca de oito meses antes da tragédia que deixou 62 mortos. Na ocasião, os pilotos conseguiram recuperar o controle do avião e concluir o voo, mas o episódio não foi comunicado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nem ao próprio Cenipa, como previsto nos protocolos de segurança.

Segundo o documento, obtido pela CNN Brasil, o órgão só tomou conhecimento desse caso durante a apuração do acidente ocorrido em Vinhedo e questionou a empresa sobre a ausência da notificação. A investigação concluiu que o evento anterior apresentava características semelhantes às verificadas no voo 2283 e poderia ter contribuído para a adoção de medidas preventivas caso tivesse sido informado oficialmente às autoridades responsáveis.

O relatório também reúne outras falhas operacionais identificadas durante a investigação. Entre elas, o Cenipa cita a realização de serviços de manutenção por mecânicos sem a supervisão exigida pelos procedimentos da companhia. O documento ainda afirma que, diante das condições meteorológicas previstas para o momento da decolagem, a aeronave não deveria ter sido liberada para o voo, já que a previsão de formação de gelo e chuva exigia uma avaliação operacional mais conservadora.

Outro ponto destacado é a repetição de procedimentos considerados inadequados em operações anteriores da Voepass. De acordo com o Cenipa, a recorrência desses desvios indica a existência de uma cultura organizacional que permitia a continuidade de falhas operacionais. Na avaliação do órgão, os problemas identificados evidenciam fragilidades na gestão operacional e nos processos internos da empresa, indicando que o acidente deve ser analisado também à luz de ocorrências registradas antes do voo 2283.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia