A pioneira da aviação e astronauta Mary Wallace “Wally” Funk faleceu aos 87 anos, na noite da última quarta-feira (8), em sua residência na cidade de Grapevine, no estado norte-americano do Texas. A notícia foi confirmada oficialmente por meio de um comunicado divulgado pelas redes sociais da prefeitura local.
Nascida em 1º de fevereiro de 1939, Wally dedicou sua trajetória a quebrar barreiras. Sua paixão pelos céus começou cedo: aos 16 anos, ingressou no Stephens College, no Missouri, onde passou a integrar o clube de aviação feminina, conquistando sua licença de piloto apenas um ano depois.
Mesmo enfrentando a rejeição de companhias aéreas comerciais após obter sua certificação de Piloto de Transporte Aéreo, ela não recuou.
Fez história ao se tornar a primeira mulher a atuar como inspetora de voo da Administração Federal de Aviação (FAA) e a primeira investigadora do Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB) dos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira profissional, acumulou mais de 19.600 horas de voo e formou mais de 3.000 pilotos comerciais e privados.
O grande objetivo de sua vida, no entanto, sempre esteve além da atmosfera terrestre. Em fevereiro de 1961, ela integrou o “Mercury 13”, um programa financiado pela iniciativa privada com o foco de treinar mulheres para as missões espaciais da Nasa.
Wally foi a participante mais jovem a se formar e concluiu as rigorosas baterias de testes, os mesmos aplicados aos sete homens do projeto Mercury, com desempenho e rapidez superiores aos dos candidatos masculinos da época.
Apesar da excelência técnica, o sonho de chegar ao espaço levou seis décadas para se materializar. Em julho de 2021, aos 82 anos, ela foi escolhida pelo bilionário Jeff Bezos, fundador da Blue Origin, como convidada de honra para um voo suborbital a bordo da nave New Shepard.
A viagem de 11 minutos a consagrou como a mulher mais velha a viajar para o espaço sideral. Emocionada após a experiência de ausência de gravidade, Wally declarou na época que desejava repetir a dose e que adorou cada minuto.
Como um gesto simbólico durante a missão, Jeff Bezos levou consigo os óculos de proteção originais usados por Amelia Earhart em sua travessia do Atlântico.