Luciana Vendramini voltou a falar sobre o período em que precisou interromper a carreira após ser diagnosticada com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Em entrevista ao jornal O Globo, a atriz de 55 anos contou que enfrentou dificuldades para compreender a doença no fim da década de 1990, quando o tema ainda era pouco discutido, e afirmou que pretende compartilhar sua trajetória em um livro e em um documentário.
Segundo a atriz, o diagnóstico mudou completamente sua rotina e afetou todas as áreas da vida. “Eu acho importante falar sobre o TOC porque é uma doença invisível, mas que não deixa de ser uma doença. Ao contrário das visíveis, como quebrar um braço ou ter uma dor de barriga, essa compromete a sua vida inteira e em todos os setores”, afirmou. Luciana relembrou que, em 1997, precisou procurar diversos especialistas para entender a condição. “Quando eu tive TOC, a minha vida parou. Foi muito difícil. Eu não pude trabalhar, não pude fazer nada. Como foi em 1997, uma época em que ninguém falava sobre isso, tive que marcar consultas com vários médicos para entender o que era. Não existia nem livro que falasse sobre o assunto. Fui batendo cabeça, indo a médicos, procurando livros que não existiam e lutando. Até eu mesma tinha preconceito em relação a tomar remédio: achava que ia me dopar, tudo por falta de informação”, declarou.
A experiência deu origem a um livro escrito por Armando Antenore, baseado em depoimentos da atriz. Apesar de o material estar pronto há anos, Luciana contou que adiou o lançamento por receio da forma como seria vista. “Ficamos sete meses imersos em depoimentos, mas, no final, eu não quis lançar o livro. Fiquei com muito medo de ficar estigmatizada, porque vivemos em um mundo de muitos julgamentos e preconceitos. Eu sempre adiava, mas aí veio a pandemia, o mundo adoeceu e todo mundo olhou para a saúde mental. Agora o projeto está andando mesmo. Vou lançar o livro e um documentário também, acredito que até o final do ano”, disse.
Além da atuação, Luciana Vendramini também se dedica à produção audiovisual. Ela explicou que criou uma produtora há cerca de 18 anos como alternativa para manter a carreira. “Meu pai sempre me aconselhou a ter um plano B, porque a vida de artista no Brasil é uma luta ferrenha, feita por obras. Há 18 anos, montei uma produtora de audiovisual. Foi o que me salvou de falir na pandemia”, afirmou.