Numa ponte gastronômica entre o Sudeste Asiático e a capital baiana, uma iguaria que encantou um turista brasileiro durante um rolé pela Tailândia desembarcou em Salvador. Servido dentro da própria casca da fruta, o sorvete de coco da Amaré transformou o entorno do Farol da Barra em ponto de peregrinação para curiosos e amantes de guloseimas, com filas que chegam a ultrapassar uma hora de espera.
Por trás do projeto estão os publicitários Eduardo Pinheiro Silva e Bia Louzão, além do dentista Felipe Almazo. A inspiração nasceu de uma lembrança guardada por Eduardo desde 2019, quando conheceu na Tailândia o conceito de servir sorvete dentro da casca do coco.
“Foi uma experiência que me marcou muito pelo sabor e pela experiência como um todo”, relembra o sócio em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia.
A ideia, no entanto, ficou adormecida até o início deste ano, quando os sócios perceberam que o modelo já vinha ganhando espaço em outros estados do Nordeste, mas ainda não havia chegado a Salvador.
Em janeiro, eles iniciaram um mergulho no segmento, estudando o mercado soteropolitano e estruturando o negócio. Desde fevereiro, o grupo trabalha na construção da marca, definição de fornecedores, desenvolvimento da identidade visual e criação de toda a operação.
O resultado é um produto artesanal, livre de lactose e glúten, que tem como estrela um único sabor: o sorvete de coco servido na própria fruta. Para chegar à receita final, foram necessários cerca de três meses de testes. Amigos e familiares participaram de degustações, enquanto amostras gratuitas foram distribuídas nas ruas para validar a aceitação do público.
“Só definimos a receita oficial depois da aprovação das pessoas. Nosso objetivo sempre foi entregar um sabor original e uma experiência diferenciada”, revela Eduardo.
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A aposta parece ter encontrado o público certo. Segundo os sócios, o sucesso veio muito mais rápido do que o esperado: a barraquinha, lançada em maio, já é a mais disputada da Barra com um mês de operação.
“Estamos extremamente felizes e surpresos. Não imaginávamos que alcançaria tamanha proporção, a ponto de termos pessoas aguardando até uma hora e meia na fila. Ver esse reconhecimento é muito gratificante diante de todo o esforço envolvido”, afirma.
A operação funciona atualmente de sexta a domingo, sempre a partir das 15h. A limitação dos dias de atendimento está diretamente ligada à complexidade da cadeia de produção, que ainda é conduzida de forma bastante enxuta pelos próprios fundadores.
E quando eles dizem “pelos próprios fundadores”, a afirmação é literal. Além de cuidar da estratégia de comunicação, da gestão financeira e das redes sociais, os três sócios também colocam a mão na massa, ou melhor, no coco. São eles os responsáveis por descascar grande parte da matéria-prima utilizada na operação, preparar o sorvete e empurrar o carrinho até o ponto de venda.
No cardápio, os clientes podem escolher entre diferentes versões da sobremesa. A opção mais econômica é a “Onda Leve”, que custa R$ 13 e inclui uma bola de sorvete e um topping. Já a “Maré Cheia”, vendida por R$ 28, leva três bolas de sorvete e três toppings. As coberturas disponíveis são amendoim, coco queimado e castanha crocante. Quem desejar pode acrescentar nibs de cacau por mais R$ 3. Importante: apenas a “Maré Cheia” é servida no coco.
Outro detalhe que chama atenção é o aproveitamento do coco. Como a Amaré não comercializa a água da fruta, ela é oferecida gratuitamente aos clientes que aguardam na fila, uma cortesia que ajuda a amenizar o calor enquanto chega a vez de experimentar a sobremesa.
Com a demanda crescente, a ampliação da capacidade produtiva já está nos planos dos sócios. Embora ainda mantenham os detalhes em segredo, Eduardo adianta que novidades devem ser anunciadas em breve.