Estudo liderado por pesquisador da UFBA estima que redistribuição de riqueza pode evitar até 29,5 milhões de mortes

Estudo liderado por pesquisador da UFBA estima que redistribuição de riqueza pode evitar até 29,5 milhões de mortes

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com
Publicado em 11/08/2026 às 23:28

Um estudo internacional com participação de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estima que mecanismos globais de tributação e redistribuição de recursos poderiam evitar entre 6,6 milhões e 29,5 milhões de mortes até 2030, principalmente em países de baixa e média renda.

O trabalho é liderado pelo professor Davide Rasella, coordenador do grupo Impact Health e pesquisador vinculado ao Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC/UFBA), e foi coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal). O artigo foi aceito para publicação na revista científica The Lancet e está disponível em formato de preprint.

Os pesquisadores analisaram dados de 59 países de baixa e média renda entre 2002 e 2021 e desenvolveram projeções até 2030. Segundo o estudo, maiores níveis de assistência internacional ao desenvolvimento estiveram associados a uma redução de 24% na mortalidade geral e de 33% entre crianças menores de cinco anos.

Em um cenário de continuidade dos cortes nesses recursos, os pesquisadores estimam a ocorrência de 7,6 milhões de mortes adicionais até 2030, das quais cerca de 1,4 milhão seriam de crianças menores de cinco anos.

O estudo também simulou dez mecanismos de financiamento discutidos internacionalmente, entre eles impostos sobre a riqueza de bilionários, grandes empresas multinacionais, transações financeiras, emissões de carbono e ativos em criptomoedas.

Entre os cenários analisados, uma tributação de 3% sobre a riqueza de bilionários apresentou o maior impacto estimado, com potencial de evitar até 29,5 milhões de mortes. Um imposto mínimo global sobre grandes multinacionais estaria associado à prevenção de aproximadamente 20 milhões de mortes, enquanto a tributação de transações financeiras poderia evitar cerca de 24 milhões.

“Vivemos em um mundo extremamente desigual, onde um pequeno número de indivíduos e corporações acumula riqueza em ritmo e escala sem precedentes, enquanto milhões de pessoas vulneráveis continuam morrendo por falta de acesso a intervenções humanitárias básicas e de baixo custo”, afirma Rasella.

Os autores ressaltam que o trabalho não recomenda uma política específica, mas busca estimar os possíveis impactos sobre a saúde de diferentes mecanismos de financiamento atualmente discutidos em fóruns internacionais.

Também participou do estudo o pesquisador Rodrigo Anderle, do ISC/UFBA, responsável por parte das modelagens utilizadas na pesquisa.

Acesse o preprint do estudo:

https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=6143363&utm_source=chatgpt.com 

 

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