Espetáculo em Salvador usa dança e a figura da Pombogira para discutir violência contra a mulher

Espetáculo em Salvador usa dança e a figura da Pombogira para discutir violência contra a mulher

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Com informações de Correio

Gilberto Goulart

Publicado em 09/06/2026 às 13:19 / Leia em 3 minutos

Após temporadas em Belo Horizonte e na Nigéria, o espetáculo de dança-teatro “Maria Vermelha” será apresentado em Salvador no próximo dia 18 de junho, às 19h, no Espaço Xisto Bahia, nos Barris. Com atuação da artista da dança Bel Sôuza, o solo propõe uma reflexão sobre as diferentes formas de violência sofridas pelas mulheres e sobre os mecanismos de opressão ao feminino, utilizando a arte como instrumento de conscientização.

A montagem toma a cor vermelha como símbolo para abordar experiências relacionadas à condição feminina, reunindo temas como dor, prazer, resistência e a busca por liberdade. Inspirado no livro “Inventário Vermelho”, organizado por Danielle Andrade, o espetáculo incorpora a figura da Pombogira para conduzir as histórias narradas na obra.

O livro reúne correspondências trocadas entre 21 mulheres de diferentes regiões do Brasil. Em cada carta, uma delas compartilha uma dor relacionada à vivência feminina, recebendo como resposta outra carta que propõe caminhos de acolhimento e cura.

Presente em religiões e cultos de matriz africana, a Pombogira é associada à força do feminino. No Candomblé, está ligada ao Orixá Exu, considerado mensageiro entre o mundo espiritual e o plano material. Já na Umbanda, é entendida como uma manifestação feminina dos Exus.

“Entre palavras, cantigas e movimentos faz-se a ponte entre o mundo invisível e o dos sentidos, tecendo uma trama de vidas e reconstruções do que já foi despedaçado”, afirma Bel Sôuza.

Em 2025, a artista levou *Maria Vermelha* ao Festival Lagos Fringe e à Universidade de Ibadan, ambos na Nigéria. O espetáculo tem direção de Rosa Antuña e colaboração coreográfica de Aline Caldeira. A apresentação integra as ações do projeto *Maria Vermelha – Circulação Nigéria*, contemplado pelo Edital de Mobilidade Cultural 2025/2026 da Secult-BA.

Antes da apresentação principal, o público poderá assistir ao solo *Megê – aquele dividido em 7*, criado e interpretado pelo bailarino e coreógrafo Matias Santiago. O trabalho mergulha na simbologia de Ogum, orixá relacionado ao ferro, às batalhas e à tecnologia, por meio de uma linguagem estética inspirada no afrofuturismo.

Apoio a Bira Monteiro

Embora a entrada seja gratuita, a organização solicita contribuições voluntárias para ajudar o percussionista Bira Monteiro, que precisa passar por uma cirurgia oftalmológica de alto risco em Brasília. Figura reconhecida no cenário cultural baiano, Bira participou da formação de grande parte dos profissionais da dança em Salvador.

SERVIÇO

  • Espetáculo Maria Vermelha, com Bel Sôuza
  • Abertura: Megê, com Matias Santiago
  • Quando: 18 de junho (quinta-feira), 19h
  • Onde: Espaço Xisto Bahia – Complexo da Biblioteca Pública dos Barris – Rua General Labatut, 27 – Barris
  • Quanto: Gratuito, com sugestão de colaboração para cirurgia de Bira Monteiro
  • Duração: 33 minutos
  • Classificação etária: 14 anos

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