Na estreia terceira temporada de “Grandes Cenas”, Lázaro Ramos deu detalhes de um importante projeto da sua carreira: o filme “Medida Provisória”, que estreou em 2022 e marcou sua estreia como diretor de cinema. Na ocasião, o artista baiano analisou a construção da cena da morte de André, comunicador interpretado por Seu Jorge, que denuncia as arbitrariedades e violências do sistema racista.
Ele revelou que o aconselharam a fazer um “favela movie”, com tiros e prisões. Seu sentimento, porém, apontava para os debates antirracistas, criando uma história diferente das que já haviam sido contadas no cinema nacional, com elementos afrofuturistas e novas linguagens.
“No filme não aparece sangue. No filme não aparece tiro, não aparece arma. Por isso que eu falo que é um filme de transição. Essa obra era para fazer isso, nesse momento. Isso é um recado”, disse o diretor.
No encontro, ele explicou ainda a cena inspirada no livro “Peles Negras, Máscaras Brancas” (1952), de Frantz Fanon. Para o realizador, a sequência é a síntese do filme, com o desafio de debater sobre as exigências e consequências mentais e físicas de quem milita por reconhecimento e identidade.
“Eu queria que fosse um grito longo, um choro longo, que fosse desconfortável e desconcertante. E o choro do Alfred está quase inteiro. A formação dele como ator é na Inglaterra e a gente aqui é latino. Ele se rasgava, gritava, chorou e eu vendo algo do Alfred que eu não tinha visto ainda, estava lindo, incrível” contou Lázaro, sobre a atuação do ator Alfred Enoch.