O cantor Ed Motta prestou depoimento nesta terça-feira (12) na 15ª DP (Gávea), no Rio de Janeiro, no âmbito de uma investigação por injúria por preconceito. O caso está relacionado a uma confusão ocorrida no restaurante Grado, no Jardim Botânico, na madrugada do último dia 2.
O artista foi ouvido por cerca de duas horas, acompanhado dos advogados Pedro Ivo Velloso e Thatiana de Carvalho Costa. Durante o depoimento, ele negou ter feito ofensas xenofóbicas contra um barman e classificou as acusações como “injustas” e “infundadas”. Segundo Ed Motta, ele frequenta o restaurante há nove anos e “jamais” utilizou “palavras pejorativas” contra funcionários.
O cantor também afirmou que as acusações não têm base e destacou sua origem familiar. “Neto de baiano” e “bisneto de cearense”, disse ter “amplo respeito pelos nordestinos”. Ele ainda declarou ser negro e gordo e afirmou repudiar “qualquer tipo de preconceito”.
A investigação considera o crime de injúria por preconceito, cuja pena prevista é de um a três anos de reclusão. Até o momento, além do artista, já prestaram depoimento o sócio do restaurante, Nello Garaventa, o barman, uma funcionária do caixa e um garçom. Ainda faltam ser ouvidos dois amigos do cantor: o empresário Diogo Coutinho do Couto e o advogado Nicholas Guedes Coppi.
De acordo com o relato do barman, Ed Motta teria feito ofensas durante o desentendimento. “Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito. Ainda segundo o funcionário, o cantor acrescentou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao sair, teria completado: “Cambada de paraíba” e, dirigindo-se diretamente a ele: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
O funcionário afirmou ainda que não foi a primeira vez que teria sido alvo de ofensas do artista, citando episódios anteriores com xingamentos. Já o proprietário do restaurante relatou à polícia que havia um áudio antigo em que o cantor teria se referido ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*”. O material foi entregue às autoridades.
Segundo o depoimento de Ed Motta, a confusão começou após a cobrança de taxa de rolha, que ele disse não ter sido aplicada em outras ocasiões. Ao questionar o valor, teria sido informado de que a cobrança ocorreu porque o grupo estava em maior número. O cantor relatou ter ficado “chateado” e “desprestigiado”.
Ele afirmou que, ao deixar o local, jogou uma cadeira no chão “sem a intenção de acertar qualquer pessoa”, mas o objeto acabou atingindo um garçom após resvalar em uma mesa. Também disse que esbarrou em outra mesa, mas não percebeu que uma bolsa caiu no chão.
Após o episódio, o artista afirmou ter enviado mensagens ao sócio do restaurante reclamando do atendimento, sem direcionar críticas a funcionários específicos.
Em nota, a defesa de Ed Motta afirmou que “em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa” e que imagens comprovariam que o cantor “não teve qualquer participação nos eventos em apuração”, pois já havia deixado o local.
A confusão teve início após questionamentos sobre a taxa de rolha, cobrada quando clientes consomem vinhos levados por eles mesmos. O grupo do cantor levou sete garrafas ao restaurante, consumiu cinco e a conta ultrapassou R$ 7 mil.
Segundo os responsáveis pelo estabelecimento, a taxa não é cobrada quando o cantor está sozinho, como cortesia, mas é aplicada em situações com mais pessoas. Ainda conforme os donos, houve “condutas discriminatórias” durante o episódio, incluindo xingamentos e referências à origem nordestina.
Após a saída de Ed Motta, uma nova briga envolvendo integrantes do grupo e outros clientes resultou em agressões físicas. Um homem foi atingido na cabeça por uma garrafa de vidro arremessada e precisou levar seis pontos.