O corpo da modelo baiana Ana Luiza Mateus foi sepultado nesta sexta-feira, 24, em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. A jovem, de 29 anos, morreu na quarta-feira, 22, após cair de um prédio no Rio de Janeiro. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio.
O traslado do corpo ocorreu na quinta-feira, 23, e o velório foi realizado na Câmara Municipal da cidade baiana, reunindo familiares e amigos. O enterro aconteceu no cemitério Reviver Park. “Aqui nesse momento de despedida o que fica é muita tristeza, um sentimento de revolta de que isso precisa acabar”, afirmou o amigo João da Cruz Neto à TV Santa Cruz.
O namorado da vítima, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, chegou a ser preso sob suspeita de envolvimento no caso. Segundo relatos de testemunhas, o casal teria discutido pouco antes da queda, ocorrida do 13º andar do edifício. Ainda de acordo com a polícia, ele tirou a própria vida dentro da cela no mesmo dia em que foi detido.
Natural de Teixeira de Freitas, Ana Luiza atuava como psicóloga, maquiadora profissional e modelo. Ela havia se mudado recentemente para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades na carreira artística e trabalhava em uma agência de modelos. A jovem também participou de concursos de beleza e representou a Bahia no Miss Cosmo Brasil.
Relatos sobre o relacionamento
Dias antes da morte, Ana Luiza comentou com uma amiga sobre dificuldades no relacionamento, que durava cerca de três meses. Na conversa, afirmou se sentir em uma “gaiola de ouro”.
Pessoas próximas relataram que o namorado demonstrava comportamento ciumento e tentava controlar a exposição da modelo nas redes sociais. Moradores e funcionários do condomínio onde o casal estava hospedado disseram ter presenciado discussões frequentes. Funcionários chegaram a sugerir que ela deixasse o local caso o companheiro retornasse.
A modelo havia comprado uma passagem para voltar à Bahia, com embarque previsto para a madrugada de quarta-feira, mas decidiu permanecer no apartamento onde ocorreu a queda.
Histórico do suspeito
De acordo com informações policiais, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha possuía mais de 20 registros criminais, incluindo casos de violência doméstica em 2025. Entre os antecedentes, está um episódio de 2011, quando ele atropelou um policial civil ao tentar deixar uma festa após abordagem. Na ocasião, foi baleado pelo agente e, posteriormente, condenado a três anos de prisão em 2014.
Cinco anos depois, ele foi atingido por disparos feitos pelo próprio pai durante uma discussão relacionada a uma suposta dívida de R$ 2 milhões. O valor foi negado por Eder Lincoln Gonçalves da Cunha, que afirmou que o filho apresentava problemas psiquiátricos e exigia R$ 200 mil, além de R$ 10 mil mensais para custear estudos de medicina no Paraguai.
Mais recentemente, em 2025, Endreo chegou a ser preso em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, após ser acusado por uma mulher de 31 anos de estupro, sequestro, cárcere privado e lesão corporal. Segundo a denúncia, o caso envolveu agressões físicas e o uso de um cinto para enforcar a vítima até que ela revelasse uma suposta traição.